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Você tem fome de Quê?

 

Não pensei que uma das músicas que eu mais gostava de ouvir na juventude fosse servir um dia para refletir o meu papel como gestor público. No entanto, o passado literalmente bateu à minha porta e está latente. “A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte”, mas...

A difícil tarefa de elaborar e implantar políticas públicas que deem conta de suprir todos os direitos sociais previstos na carta magna não é uma missão fácil. Todavia, foi o caminho da vida pública que escolhi, da dedicação constante na busca pela integridade, emancipação e inserção das famílias vulneráveis, definitivamente com todos os direitos, na sociedade organizada.

Hoje na liderança da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, a porta de entrada dos menos favorecidos ou invisíveis, reitero uma tese que sempre defendi: sozinhos não vamos a lugar nenhum!

Devemos cuidar da segurança alimentar, da saúde, educação, moradia, trabalho, da família, do saneamento básico, da cultura. Como fazer isso?

Só temos uma saída: articular as diferentes políticas ofertadas pelo Estado no atendimento àqueles que nada detêm, bem como a conscientização de todos os cidadãos para uma vida mais harmoniosa e saudável.

E lá vem ela novamente: “Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? ”

Temos no Brasil uma política nacional de segurança alimentar, inspirada nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) a qual estabeleceu que o Estado provenha a alimentação de qualidade para um desenvolvimento saudável. 

Nesse sentido, implantamos há 20 anos no Estado de São Paulo o Projeto Vivaleite e o Bom Prato, considerados os maiores programas de segurança alimentar do país. Por meio deles, oferecemos mais de 102 milhões de litros de leite e 20 milhões de refeições por ano.

Mas será que a oferta de alimentação de qualidade e o acompanhamento nutricional são suficientes para darmos conta da segurança alimentar da população?

O Brasil tem 50% da população acima do peso e um elevado percentual (30%) de obesidade infantil, o que evidencia a alimentação inadequada, sobretudo pelo fácil acesso à comida de baixo custo e alta densidade calórica, além da falta de atividade física. 

Quando pensamos em nutrição, devemos ter em mente que essa palavra significa o bem-estar físico, psíquico e social da pessoa.

Atualmente os esforços estão voltados para ações de prevenção, de modo que hábitos e comportamentos sejam adequados para uma vida saudável. Precisamos ampliar, com isso, ações públicas de conscientização para todos.

E volta a música: “desejo, necessidade, vontade, necessidade, desejo”.

São tantos desejos, necessidades, vontades e compromissos que ainda temos um longo caminho a percorrer. Tenho trabalhado para contribuir com a inserção produtiva das famílias e investir em ações preventivas e intersetoriais que permitam a autonomia nas escolhas de cada um, haja vista vivermos num país multicultural. 

O papel de empoderar as famílias por meio de políticas públicas é somente do Estado? Ou será que se a sociedade mudar o olhar sobre os menos favorecidos não avançaremos para um Brasil mais humano, justo e solidário?

“A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade; a gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade...”

 

Por Floriano Pesaro • Secretário de Estado de Desenvolvimento Social

 


 

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