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Artista não vem de berço e sim dos Palcos

 

Artista, palavra que define “Arte” em todos os seus aspectos em torno da cultura, seja branca, parda, preta, amarela em todas as suas etnias. Ser artista é gerar de um simples sorriso a um belo aplauso! Nós artistas somos encarregados de fazer brilhar e expressar a felicidade em todas as pessoas que se simpatizam com o prazer de ser feliz ou simplesmente relaxam ao ver um artista se expressando de todas as formas!

O Teatro surgiu há muito tempo atrás, segundo os estudiosos foi a segunda profissão a surgir, quando os governantes usavam pessoas que tivessem boa desenvoltura para levar ao povo suas mensagens e até hoje é praticada nas ruas, praças, palcos de mais diferentes tamanhos e formas.

Hoje é um ensinamento restrito em poucas escolas que sobrevivem ensinando a arte de interpretar. Na década de 70 lembro que na escola pública onde estudei tínhamos aulas de teatro e todos éramos obrigados a participar. Isso fazia com que os alunos se tornassem mais amigos e desenvoltos, contribuindo para terem melhor resultado na continuação de suas vidas, ajudando com uma comunicação melhor e um melhor entendimento do dia a dia, pois a nossa vida é um grande espetáculo, onde o roteiro é escrito todos os dias por nós mesmos.

O Teatro surgiu em minha vida na década de 1980 quando ainda morava na região leste de São Paulo. De família humilde, mas com determinação, busquei conhecer a arte de interpretar. Inicialmente no circo, me tornei um palhaço de circo, onde aprendi um pouco sobre a arte de interpretar um personagem. Busquei conhecimento e me tornei um ator de teatro. Confesso que achei que seria fácil, mas não é. Pelo contrário é muito difícil! Eu tinha que decorar e estudar sobre cada palavra escrita por um autor, a pessoa que cria de sua imaginação textos e personagens para enobrecer suas histórias. Depois de decorado o texto, tinha ainda que criar o personagem e assim descobrir que tipo físico, voz, atitudes e ações se encaixa com os demais personagens para dar o melhor resultado cênico. Se não bastasse ainda, tinha que ser aconselhado e dirigido pelo diretor escolhido, o profissional que distribui e organiza cenicamente os espetáculos, determinando assim trilha sonora, figurino, atores, luz cênica e todas as necessidades para que um espetáculo fique perfeito para ser apresentado ao público.

Com tudo isso ainda temos que rezar para ter público para apreciar nosso trabalho. Cabe ao produtor do espetáculo fazer de tudo para divulgar e chegar ao conhecimento do grande público que aquele espetáculo está em cartaz.
Fazer teatro não é fácil, é como remar na areia. As vezes fazemos tudo isso e não conseguimos ganhar nem para pagar a condução que pegamos, e trabalhamos pelo prazer e a vontade de encenar.

O Teatro é um dos braços da cultura que mais sofre preconceito e nem sempre conseguindo atingir um objetivo do sucesso. O grande público sempre buscou ver grandes estrelas da TV nos teatros e acaba se esquecendo que o ator tem que ter talento e determinação para mostrar a ele sempre o melhor.

Mesmo assim nós atores que amamos a arte de interpretar, levamos como se fosse uma religião, buscando a realização pessoal e nos presenteando com qualquer quantidade de público e de apoio ao um espetáculo. Não tem coisa melhor para os profissionais envolvidos na criação de um grande espetáculo teatral do que ver uma plateia lotada e todos de pé aplaudindo o nosso trabalho.

Hoje tenho uma carreira de 30 anos de encenação entre teatro, publicidade, programas de Televisão, cinema e novelas. Muito estudo e dedicação pois sabia que não bastava ter talento e desenvoltura, tinha sim que apreender com o palco e com os mestres nos quais me espelhei como Ronald Golias, Teobaldo (guarda Juju), Lilico (tempo bom, não volta mais) Jorge Lafond (Vera Verão) Carlos Alberto de Nóbrega, Canarinho, Felipe Levotto, Moacir Franco, Maria Tereza, Antonio Fagundes, Saulo Laranjeira, Lima Duarte e muitos outros artistas que pude dividir palco, cenas ou simplesmente ser figurante de suas atuações. Adoraria ter feito uma faculdade de arte cênicas para me aperfeiçoar, mais me contento com os professores com quem apreendi que o palco é lugar de respeito e determinação. Atores e atrizes com quem dividi o palco como Ronaldo Ciambroni (um mestre inigualável), Orlando Vieira, Lourdes de Moraes, Geórgia Gomide, Valeria Lurci, Valderez de Barros, Oswaldo Mendes, Kaka de Lima e muitos outros amigos nos mais de 118 espetáculos como ator e cerca de 23 espetáculos produzidos. 

Ser artista é viver várias profissões e vidas, podemos morrer cenicamente, casar, ser homem, ser mulher, ser animais e muito mais, mas somos só e simplesmente “Artistas”, e acredito que o artista não nasce do berço e sim de muita determinação e muita presença de palco!!

Independente de qual seja sua escolha de profissão, lute e busque ser UM e não simplesmente Mais Um.

 

Por Luiggi Francesco conhecido como Tchesco • Ator e produtor teatral – administrador do Teatro Bibi Ferreira, está em cartaz no espetáculo “As Filhas da Mãe” do autor Ronaldo Ciambroni. www.teatrobibiferreira.com.br


 

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