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A Influência do Folclore na Educação e na Infância

 

Com a vinda das comemorações no dia 22/08 o Dia do Folclore e dia 24/08 o Dia da Infância, vamos buscar uma mescla destes eventos com muito mais brincadeiras, histórias e ludicidade para a alegria maior de nossas crianças.

Brincar é coisa séria. Através delas, a criança satisfaz, em grande parte, seus interesses, necessidades e desejos particulares. Conhecer a criança em seu contexto cultural implica observá-la no seu dia a dia. Brinquedos não devem ser explorados somente como lazer, mas também como elementos enriquecedores para promover a aprendizagem. 

Através da brincadeira a criança é submetida a um condicionamento pelos membros da sociedade e do meio à qual pertence, desenvolvendo-se através de diferentes experiências de aprendizagem, de forma contínua, desenvolvendo habilidades e competências necessárias a sua atuação presente e futura, além de desenvolver a resistência física e habilidades neuromusculares, do domínio emocional e da auto expressão. 

É importante que se trabalhe a dimensão lúdica que existe na essência de cada criança, no seu trajeto cultural, valorizando a criatividade, o cultivo da sensibilidade e a busca da afetividade, o lúdico é uma necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente e faz parte das atividades e da dinâmica humana, revelando que essas crianças percebem suas capacidades e suas dificuldades.

Estamos em pleno século XXI, era da globalização, robótica e outros avanços tecnológicos, porém, em meio a tudo isso, onde se encontra as informações da nossa cultura e a nossa história para as crianças? Como estão sendo abordadas na infância frente a tantas outras novidades?

A importância do folclore na educação infantil

Como usar o lúdico como parte integrante da infância de maneira interessante e divertida? Como andar com pernas de pau, jogo da amarelinha, pular corda, rodar pião, contos e lendas como Saci Pererê, Negrinho do Pastoreio, Mula sem cabeça entre outras. Brincadeiras e histórias estão perdidas no tempo? 

Buscar o lúdico no folclore é poder conectar a criança ao meio ambiente a fim de conhecê-lo melhor, possibilitando o conhecimento histórico, ensinamentos de diversas etnias e costumes, desenvolvimento do gosto musical, ritmo, harmonia, criatividade.

Uma primeira providência essencial diz respeito à compreensão da imensa noção de folclore. Em sua origem inglesa, a palavra folclore significa o ato de ensinar (lore), um conjunto de costumes, lendas e manifestações artísticas do povo (folk), preservadas pela tradição oral, passando de boca em boca e a cada história ou causo contado há uma pitada de imaginação influenciada pelo contexto de quem a reproduz e  esse contexto, por sua vez, está em constante mudança.

Para a maioria dos estudiosos, podemos agrupar essas manifestações folclóricas em oito categorias: música e dança, festas populares, usos e costumes, crendices e religiosidades, artesanato, brinquedos e brincadeiras infantis, linguagem e literatura oral. 

Portanto, tradição é a transmissão de costumes e práticas culturais de um povo (sobre natureza material ou espiritual), que também podendo ser passada de pais para filhos com o passar do tempo. Assim conserva-se a memória de um grupo social.

As atividades folclóricas propiciam uma aprendizagem motivadora e facilitadora à interdisciplinaridade como, por exemplo, comunicação e expressão, matemática, ciências, estudos sociais. Dessa maneira o folclore trabalha a ética e as várias culturas existentes.

O folclore possui um valor educativo, o ser humano, por seu intermédio não só participa de um sistema de ideias, sentimentos e valores. Agem e raciocinam em função dele, quando as situações assim exigem. 

 


A brincadeira folclórica contém uma série de valores que, através do tempo, foram sendo selecionados de forma natural por diversas gerações, guardando relações de ajustamento à época e ao meio. O aprendizado das brincadeiras folclóricas pela criança propicia a liberação de energia, a expansão da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade. Essa forma de lazer não se restringe especificamente ao grupo infantil, embora este desempenhe melhores condições para praticá-la. 

A manifestação folclórica tinha uma função social, que não é mera forma de divertimento, brincadeiras ou conto de mitos, ela era substancialmente uma fonte socializadora, a partir de uma relação de equidade dentro da cultura infantil, ou seja, o folclore operava como “fonte de atualização e de perpetuação de estados de espírito e de atitudes que garantem a eficácia dos meios normais de controle social” (FERNANDES, 2006). 

É importante que estas crianças vivenciem todos estes personagens folclóricos e com isso o conhecimento realmente acontece com a prática, com a contação de lendas, ervas medicinais e brincadeiras diversas, dessa forma as crianças acabam percebendo que os brinquedos não são apenas aqueles que se compra, aperta um botão, brinca sozinho ou fica assistindo. 

Essa vivencia prática é muito mais que a teoria é o prazer e a satisfação que a criança sente  ao fazer parte daquela história, daquele brinquedo ou daquela brincadeira.

A construção do brinquedo e das brincadeiras desenvolve muito mais que o conhecimento, desenvolve a união da família, a transmissão de cultura, coordenação motora e mental da criança.

As brincadeiras diferem de região para região onde foram organizadas da seguinte forma: no sudeste, barra-manteiga e peteca; no sul, coelhinho sai da toca e vivo ou morto; no norte, curupira e cai no poço; no nordeste, pular corda e passa anel; e no centro-oeste, corre-cotia. De modo que as crianças podem  percorrer o país brincando e conhecendo as brincadeiras preferidas das crianças dessas regiões. 

Batucar e dançar ritmos regionais, por exemplo, faz os pequenos entrarem em contato com manifestações artísticas locais, que são expressões de sua cultura, além de estimular o movimento, algo fundamental nessa faixa etária, elas ajudam as crianças a desenvolver a fala e o ritmo.

Quando as crianças brincam, observa-se a satisfação que elas experimentam ao participarem das atividades. Além de seu estado de euforia e excitação, o brincar proporciona bem mais. Através dele a criança consegue conjugar seu mundo de fantasia com a realidade, transitando livremente de uma situação a outra. Há uma ação psicofísica na execução dos objetivos: no ato de brincar, a criança propõe-se a fazer algo e procura cumprir sua proposição.

Sendo assim, a criança necessita aprender as habilidades que poderá desenvolver, pois ela não nasce com essas habilidades, personalidade e inteligência pronta, é o que difere do animal, que nasce com instinto e habilidades pré-determinadas. Já para o ser humano é necessário que lhe sejam dadas condições, sobretudo em processos educativos, que lhe sejam apresentados aspectos da sua cultura, para que possa haver um processo de apropriação. 

Que tal fazermos a maior farra com nossos pequenos? A diversão é garantida para todos!

 

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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