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Andrea Matarazzo visita redação da CityPenha

 

O Vereador Andrea Matarazzo visitou a Penha, almoçando no restaurante Panelão do Norte e indo conhecer a redação da Revista CityPenha, onde conversou sobre a nova Lei de Uso e Ocupação de Solo, em discussão na Câmara.

Acompanhe como foi nosso bate papo.

CityPenha: Hoje as pessoas não fazem muita ideia do que são as “ZEIS” - Zona Especial de Interesse Social, e aí se ouve falar assim: “eu não vou mais poder construir casa com 2 banheiros? ”. Esse medo é real?

Andrea Matarazzo: É pelo menos para ficar preocupado, porque a Lei de Uso e Ocupação de Solo está sendo discutida agora, ela impõe uma série de limitações ou liberalizações em cada uma das regiões da cidade. Você tem áreas onde a nova lei pretende adensar, por mais moradores, liberando a construção de prédios, por exemplo. Mas é muito perigoso você fazer isso, como a prefeitura está fazendo, sem ter um estudo de capacidade de suporte do local.

CityPenha: Mas o que é a capacidade de suporte?
Andrea: É você saber se tem no local que será adensado infraestrutura para suportar novas pessoas. Se a rede de esgotos e de galerias é grande o suficiente. Se tem um número suficiente de bocas de lobos. Se as ruas de acesso são adequadas para ter mais gente. Se a rede elétrica aguenta isso.

 


CityPenha: É essa lei que define onde será possível fazer quais tipos de imóvel?

Andrea: Isso mesmo. E foi por isso que nós viemos aqui. A região tem muitos problemas como a fábrica da Panco, onde o zoneamento atual, e o novo proposto, não permitem que ela esteja lá. A nova lei está eliminando algumas áreas industriais da cidade, transformando as áreas em ZEIS. Isso vai acabar fazendo com que esses terrenos sejam interessantes de serem vendidos para projetos habitacionais de baixa renda, desabrigando a pequena indústria, o que nem sempre é uma coisa boa porque vai tirar o emprego da região. Nós estamos falando de pequenas indústrias que não interferem no meio ambiente do local, não isolam o bairro, muito pelo contrário, estão misturadas com comércio por exemplo.

CityPenha: Uma lei que mexe tanto com a cidade deveria ser mais discutida com a sociedade?

Andrea: Com certeza. Essas coisas devem ser feitas com cuidado e eu sempre digo que esse tipo de programa como a Lei de Uso e Ocupação do Solo, como o Plano Diretor, tem que ser feito conversando com as pessoas dos bairros, porque quem sabe quais são os problemas e prioridades de um bairro são as pessoas que moram e que trabalham no lugar. Então não adianta fazer como o prefeito Fernando Haddad faz. Ele e o secretário de planejamento não conhecem a cidade, só conhecem pela tela do computador, não andam pela cidade, então estão fazendo um trabalho urbanístico como se nós estivéssemos em Madri ou em Barcelona, e não estamos nem em um lugar nem em outro. Estamos em São Paulo com todos os seus atrasos, com todos os seus problemas e com todas as suas carências.

CityPenha: Nesse sentido vale lembrar que uma grande reinvindicação da região da Penha é que ela não tem possibilidade de imóveis de alto padrão. Então as pessoas que têm dinheiro na região vão morar no Tatuapé ou em outros lugares.

Andrea: Esse é outro problema que este Plano Diretor e o conceito do prefeito Haddad tem: adensar e levar as pessoas para o centro. Ele não sabe que as pessoas da cidade de São Paulo, e quem me fala muito isso especificamente dessa região é o vereador Toninho Paiva, que aliás foi meu colega na Comissão de Política Urbana e conhece a região da Penha e do Tatuapé como os dedos da sua mão. Ele fala exatamente isso: a região economicamente melhorou, mas os moradores, em função dos vários bloqueios, como as ZEIS, não conseguem ter imóveis de alto padrão na Penha. Essa é uma das reinvindicações que o Toninho Paiva tem levado para a prefeitura e que a gente entende. É preciso ouvir as pessoas que realmente conhecem o lugar e a partir disso ajustar. Esse é o papel do Poder Público. Ajustar e arbitrar a região de acordo com cada necessidade.

 


 

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