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Novo presidente do Clube Esportivo da Penha, Afonso Celso Lenzi

 

Conversamos com o novo presidente do Clube Esportivo da Penha Afonso Celso Lenzi, eleito em março.

Empresário de sucesso, Afonsinho como é conhecido, é filho do ex presidente Afonso Lenzi, figura emblemática na história do clube. Com a missão de comandar o clube em um período difícil de aperto econômico, o novo presidente tem projetos claros e uma visão bem realista da situação. Acompanhe como foi o nosso bate papo.

CityPenha: Sua família tem uma história que quase se confunde com a do CEP. Nos conte como tudo começou.

Afonso Lenzi: Tudo começou com a vinda do meu avô da Itália, José Lenzi, o pai do meu pai, no fim da década de 1910 e começo de 1920. Ele veio junto com a família fugindo da 1º Guerra Mundial, porque não tinha condições de morar na Itália. Vieram de navio, onde ele conheceu minha avó. Alguns parentes ficaram em Santos, outros foram para Santa Catarina, outros ainda para o interior de São Paulo e ele se estabeleceu na Penha, onde fez amizade com um grupo de pessoas tradicionais, como o Plinio Augusto de Camargo, inclusive tem uma rua em seu nome na travessa com a rua Caquito, o Barnabé, que foi o primeiro presidente do clube e mais uns 3 ou 4. Eles frequentavam outro clube na Penha onde acabaram brigando e foi dessa dissidência que meu avô, o Barnabé e o Plinio Augusto com mais alguns fundaram o Clube Esportivo da Penha, bem no finalzinho de 1929, mas a data oficial de fundação do clube foi 1º de janeiro de 1930. Eu costumo brincar que alguém para fundar alguma coisa dia 1º de janeiro só podia estar meio “cachaçado”, afinal é uma data muito estranha para você fundar alguma coisa, é um dia de estar tudo parado, cada um dentro de suas casas com a família.

 


Afonso Celso Lenzi, com a esposa Martha e filhas na cerimônia de posse
foto: Braga - Softmania


CityPenha: Seu avô além de fundador também foi presidente do CEP?

Afonso: Não, o meu avô não foi presidente do clube. O primeiro presidente foi o seu Barnabé e a partir disso veio o Plinio Augusto de Camargo. Como meu avô veio “meio escondido” da Itália por causa da primeira guerra, ele não deixava aparecer seu nome em lugar nenhum, nem na ata de fundação do clube tem o nome dele. Ele não deixava porque tinha medo que alguém descobrisse que ele estava escondido no Brasil e viesse atrás dele.

CityPenha: E sua história no CEP, como ela começa?

Afonso: Eu nasci no clube, meu pai nasceu no clube. Meu pai nasceu em 1930, 5 meses depois da fundação do clube, e toda a nossa vida, da família inteira, foi feita dentro do clube, todas as amizades. Eu comecei a namorar dentro do clube, eu casei dentro do clube, minhas filhas nasceram dentro do clube, foram batizadas no clube, todos os seus aniversários foram feitos no clube, eu comecei a andar dentro do clube. Tem até uma foto minha com meu pai onde tinha aquela antiga quadrinha que hoje é um jardim que tem aros de basquete. Então foi uma vida toda, meu pai em consequência da tradição por causa do meu avô dedicou uma vida inteira dentro do clube, mesmo antes dele se aposentar no começo da década de 80, quando ele teve um infarto e teve que parar de trabalhar.

CityPenha: E por que você decidiu concorrer a presidência do CEP?

Afonso: Foi por causa de toda essa história e desse amor. Meu pai lançou minha candidatura a presidente do clube e infelizmente ele veio a falecer 2 ou 3 meses depois disso. Agora eu tento levar a tradição da família, porém do meu jeito, de um jeito moderno, acompanhando os ensinamentos dele, mas adaptando para os dias de hoje, porque o clube precisa ser modernizado, mas claro sem perder um dos pontos mais importantes que é a tradição de ser um clube familiar, que valoriza a família.

CityPenha: Isso significa valorizar ainda mais o sócio e sua família?

Afonso: Eu tenho comigo que a gente não precisa priorizar uma festa para 2000 pessoas dentro do clube, nós precisamos fazer festa de 200 pessoas, mas para os sócios, que vai ser algo principal na minha administração. Nós precisamos dar atenção ao sócio, em termos sociais, esportivos, condições totais para o cara vir com sua família e estar tranquilo, que vai estar em um lugar seguro, com todo o respaldo. Então a minha ideia é fazer uma administração direta para o sócio, nós temos muito trabalho para modernizar o clube.

CityPenha: E modernizar você está falando em todos os aspectos, a administração, a estrutura...?

Afonso: Todos os aspectos. Nós vamos fazer uma reformulação geral na parte administrativa. Existe alguns pontos que tem que ser terceirizados, como a parte da limpeza, de vigilância. Porque o clube é igual a um hotel: Abriu, você tem que ter tudo limpinho e organizado para o sócio vir usar. Porque ele paga, então ele exige. Nós precisamos modernizar a parte administrativa, que por sinal nós já começamos a organizar, a fazer toda uma programação. Meu primeiro vice-presidente, o Durval Luchetti é especialista em RH, administração de pessoas, já começou a fazer um grande estudo, uma reformulação geral. Nós precisamos colocar o clube no terceiro milênio e para isso criei o departamento de TI a cargo de um diretor de TI que é o Monteirinho profissional especialista na área, para modernizar toda a informática e vamos fazer uma reformulação total na parte de atendimento ao associado. Hoje para o associado fazer um pagamento no clube ele precisa ficar “agachado nos guichês”. Nós vamos mudar tudo aquilo, vai ter um atendimento que o sócio vai sentar, com mesas e ser bem tratado com ar-condicionado, um cafezinho e uma água. Vamos humanizar a relação com o sócio, isso é necessário porque a gente administra o clube também com o coração, ele é uma extensão das nossas casas, dos nossos lares.

CityPenha: Sem dúvida essa é a melhor parte do esportivo, o lado da família.

Afonso: Com todo esse problema de violência que a gente tem ai na rua, hoje você não tem sossego para comer pizza com sua família que os caras invadem a pizzaria para te roubar, então o clube tem essa vantagem, você pode vir tranquilo, deixar seu carro, deixar seu filho andando por aqui.  Existem diversos bares e restaurantes no clube que você pode sentar, bater um papo, fazer sua alimentação, tomar uma cervejinha. Não podemos perder essa tradição do clube, o lado família, e isso não iremos deixar acontecer.

 


Sr. Afonso Lenzi, Afonsinho, Alexandre Mourão e Durval Luchetti
fotos: Braga - Softmania


CityPenha: Você há muitos anos luta pela valorização da tradição!

Afonso: Já tem muitos anos que a gente briga para respeitar a marca Penha, porque acontecia de cada um fazer o uniforme em um lugar e cada um fazer do jeito que quer, por exemplo tricolor, o clube nunca foi tricolor. Eu tinha um desafio comigo quando fui presidente do Conselho e falava em todas as reuniões: nós precisamos guardar as tradições. O clube está errado, o clube não é tricolor, o clube é rubro-negro, e o pessoal não acreditava. Eu rodei em todos os cartórios de São Paulo até achar o primeiro estatuto registrado da fundação do clube e ali estava que suas cores são: vermelho e preto. Eu sou muito bairrista, sou muito tradicionalista, gosto de guardar as tradições, e a Penha para mim é um lugar que eu tenho um carinho muito grande e fico muito triste em ver como a Penha está hoje.

CityPenha: De forma mais prática, como você quer implantar as modernizações?

Afonso: Os dois carros chefes do clube são a parte social e a parte esportiva, lógico que também tem a parte cultural e a do meio ambiente onde o clube é referência, mas a parte social e esportiva você tem que cuidar com muito carinho, o clube se leva por isso. Hoje temos por volta de 700 crianças praticando esporte no clube oficialmente, tanto federados, quanto no Sindiclube e outras competições, então você tem que dar muita atenção para isso. A garotada começa aos 8 anos de idade, com os fraldinhas e vai até os 17 anos. Ai os caras falam: “Pó, você não aproveita aquele que é formado no futebol, vai lá para o Corinthians, para o Palmeiras, São Paulo. ” Não dá, nós somos amadores, não temos o direito de cercear a evolução dos atletas. Nós somos um clube formador, o que interessa para a gente é a família aqui dentro, se sentindo bem e vendo que o filho pode ter uma boa educação e também uma preparação na parte do esporte e no futuro ele que escolher. Dar essa atenção na parte esportiva é um trabalho muito difícil porque as taxas e a estrutura são muito caras, e hoje o clube não sobrevive sem patrocínio. O novo vice-presidente de Marketing, Luis Fernando Mordente e seu diretor de marketing, Alexandre Morão, o “xandinho”, que são profissionais da área altamente capacitados, têm essa missão, e nós vamos dar toda a autonomia e todo apoio para eles, para trazer parceiros para o clube. O clube tem uma carteira de 12 mil associados. Qualquer empresa grande pode ter interesse no clube. Nós temos um grande potencial de empresários no clube. 

CityPenha: Eles vão atuar também em patrocínios para a parte social e cultural?

Afonso: O social é um dos grandes elos de ligação das pessoas no CEP. As nossas festas tradicionais como o Queijo e Vinho, o Flashback, o Dia das Crianças, a Chegada do Papai Noel e a Festa Junina aproximam ainda mais a família dentro do clube. Nossa Festa Junina se mantém como uma das mais importantes festas de São Paulo. 

O cultural realiza importantes eventos como a Abertura da Primavera e mantém o Coral do CEP. Todos eles contaram com esforços extras do marketing para valorizar tudo que oferecemos aos sócios.

CityPenha: Os novos condomínios residenciais são uma ameaça para o clube?

Afonso: Nós tínhamos medo dessa realidade imobiliária: “o clube vai perder sócios”, mas não. Na verdade você vai na academia do seu prédio e fica olhando para a parede lá sozinho. O cara gosta de ir em um lugar onde ele tem entretenimento com os amigos, jogar um futebol, um basquete, um vôlei ou até mesmo um tênis. Na academia você vai e conhece todo mundo. A gente precisa fomentar isso e estamos conseguindo. Antigamente a vida noturna no clube praticamente não existia, hoje você vem no clube de terça, quarta ou quinta e as vezes não tem lugar para colocar seu carro. Então teve o crescimento da família à noite.

CityPenha: Uma última mensagem para os leitores, em especial os sócios do CEP.

Afonso: É muito importante a união de todos, que todos venham juntos com a gente administrar o clube, porque eu quero administrar junto com o sócio. Eu não posso fazer para o clube o que eu quero, eu tenho que fazer o que ele precisa.

 


Afonso Celso Lenzi e diretores na Festa Junina 2015


 

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