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Como apresentar seu namorado(a) para seus filhos


As estatísticas mostram que são cada vez mais frequentes os casais que se separam ou enfrentam a morte entre um deles. Grande parte desses casais tem filhos, o que supõe que muitas pessoas irão enfrentar o processo de apresentar os seus filhos a um novo membro e que estes, por sua vez, terão de conhecer, provavelmente, não só o namorado da mãe, mas também a nova namorada do pai.

Com a estrutura familiar rompida, os filhos já estão tendo que lidar com uma perda nada fácil de ser vivida, tendo que se acostumar com uma nova rotina de viver sem um dos pais ou de dividir seu tempo entre a casa do pai e a da mãe, no caso de separação. De qualquer forma, o filho(a) precisa aceitar o fato de que o pai e a mãe não são mais um casal, e não estão mais juntos.

É claro que nem sempre as crianças e adolescentes estão preparadas para lidar com a situação e entender a presença de um novo integrante dentro da sua vida. E antes de explicar o seu atual momento é importantíssimo deixar claro para o seu filho que ele não é responsável pela separação e nem por uma reconciliação dos pais.

Enquanto esta perda não é elaborada, fica difícil aceitar outra pessoa que, para ela, irá bagunçar ainda mais o seu mundo.

Conversar e compartilhar os sentimentos se torna fundamental nessas horas. É claro que é desnecessário contar todos os detalhes, mas o diálogo evita algumas surpresas desagradáveis. 

Mas você conheceu uma pessoa e começou a sair com ela. Papo vai, intimidade vem e ambos percebem que a relação, sim, pode engatilhar! Então, é hora de oficializar essa união e namorar.

 Mas você tem filhos e se pergunta: como eu devo ‘apresentar’ o meu namorado(a) aos meus filhos? Há um jeito adequado de fazer isso? E se eles o rejeitarem? Ou se ficarem com ciúme com essa nova rotina?

O primeiro motivo para a não aceitação do namoro dos pais é o ciúme. Este sentimento pode ser definido como o cuidado daquilo que possuo, para evitar sua perda. 

É natural que as crianças sintam ciúmes e, por esse motivo, agridam o(a) namorado(a) verbalmente. Prepare-se para ouvir algumas vezes algo como: “Você não é minha mãe!”, ou até mesmo “Só obedeço aos meus pais”, e por aí vai…

Mas é muito importante que você se contenha e tente entender que essas atitudes são naturais e vão melhorar conforme avança o tempo, quando a fase de adaptação dessa situação já estiver digerida!

De qualquer modo, o fato de os filhos não gostarem, não aceitarem ou sentirem ciúmes dos namorados dos pais não é passível de punição, pois se trata de um sentimento. Só podemos punir comportamentos, nunca os sentimentos e as emoções.

 Temos que garantir aos nossos filhos o direito de expressarem seus sentimentos. O que pode ser passível de punição é algum comportamento hostil que desrespeite o namorado ou a namorada. 

Para diminuir as possíveis tensões e para os filhos se sentirem menos ameaçados, no primeiro encontro criar um ambiente de confiança, saudável e de segurança para evitar fatores de atrito, ansiedade e eventual rejeição, podendo ser feito em um local neutro, não na casa da criança ou adolescente, como um restaurante, um parque etc. isto pode gerar um clima mais agradável e descontraído. O(a) filho(a) encontrará a nova pessoa longe do seu “território”, e com isso tende a ficar menos tensa, retraída e na defensiva, e consequentemente mais aberta a conhecê-lo(a).

Procure compartilhar, e não dividir ou substituir: Sempre é menos sofrido para a criança se ela se sentir acolhida e respeitada e não pressionada e questionada. Ser suave, ser simples e estar junto ajuda a ser mais bem recebido.

A aceitação: Se o seu filho for pequeninho, a aceitação parece ser um pouco mais fácil. Crianças menores são menos armadas. Os adolescentes são mais prevenidos e, além da própria fase de vida, têm uma vivência maior com mais arestas a serem aparadas. 

Geralmente as crianças não gostam dos novos casais. Não é algo pessoal, é sim o resultado da interpretação de que chegou alguém para ocupar o lugar perdido do seu pai ou mãe. É importante fazer com que as crianças percebam que o aceitar ou querer este novo familiar não significa querer menos, esquecer ou substituir o seu outro pai/mãe, pois é algo que não vai alterar.

 


Não apresentar o namorado muito precocemente: Antes de envolver a família nesse novo relacionamento, é importante que haja certa estabilidade para, pelo menos, possibilitar um pouco de segurança. Apresente um novo namorado apenas se sentir que está em um relacionamento significativo.

Apresentar o namorado muito tardiamente: O seu novo parceiro já tem até pijama guardadinho na sua gaveta e você ainda acha que não é hora de explicar o que acontece para o seu filho? Esperar demais é arriscado e pode trazer surpresas desagradáveis. O fato de uma criança não fazer perguntas não significa desinteresse ou ausência de dúvidas. Muitas vezes, elas não conseguem lidar com o que está acontecendo ou alimentam fantasias com medo, até, de que o namorado roube a mamãe e sofrem com isso.

Apresentar o namorado como amigo: O cara já viajou com vocês pra praia, está em todas as reuniões familiares e você insiste em dizer que ele é apenas um super amigo. Ser sempre sincero, na medida do interesse da criança, ajuda muito a evitar cair em contradições e a perder a confiança adquirida durante a vida familiar.

Apresentar o namorado sem antes conversar com a criança: A chegada inesperada de um talvez-futuro-membro-novo-dessa-família pode desestabilizar emocionalmente essa criança e trazer consequências danosas ao vínculo mãe-filho.

Converse com seus filhos depois: Pergunte para as crianças o que elas acharam de seu novo namorado. Se houver algum problema, tente lidar com essa questão. Simplesmente ignorar a situação e esperar que eles superem apenas fará as coisas piores

Chamar o novo namorado de pai: Existe ex-presidente, ex-namorado, mas não existe ex-pai ou ex-mãe. Esse vínculo é eterno e definitivo, mesmo quando as pessoas estão ausentes. A forma mais adequada para que seu filho chame seu novo namorado é pelo nome.

Tentar ser o novo pai para essa criança: O filho não vai gostar de se sentir traidor do amor e da confiança do pai ou mãe ausente. Assegure que o novo namorado não vai substituir os pais e que há espaço para que a criança goste também de outras pessoas.

Não transforme essa relação em uma competição: Essa é uma falha muito comum entre as partes. A relação dos pais com os filhos é completamente diferente da sua relação com ele(a). Esta competição é iniciada, na maioria das vezes, pela briga da atenção, o que, aliás, é motivo de frequentes queixas.

Respeite as diferenças: A futura madrasta precisa entender que os filhos do marido não são seus filhos. Portanto, ela não tem que educá-los, mas apenas administrar a relação. Eles já virão “prontos” para ela – isso quer dizer que têm outras vivências, experiências, costumes etc. Não tente mudar isso e jamais desautorize as regras passadas pelos pais das crianças!

Controle seu temperamento e não caia nas provocações dos futuros enteados: Gentileza é algo sempre bem-vindo e não pode faltar. Nada de agressões gratuitas, menos ainda de jogar a própria raiva em cima deles. Controlem-se. O melhor mesmo é sempre procurar se lembrar de que o final de semana vai acabar e logo as coisas voltarão a ser como eram antes.

Seja agradável, sempre: Se a criança disser para o pai ou mãe que gostaria, por exemplo, de ir ao shopping, compre a ideia! Defenda os filhos para o pai ou mãe, para que eles consigam vê-la como uma aliada e não como uma rival!

Não suma com as fotos da casa: Tentar que o pai ou a mãe que já não vivem com as crianças não sejam ocultados, nem no tratamento nem tão pouco em forma de fotografias ou lembranças que se ocultem.

Dividir o tempo e não querer total exclusividade: É bom que continue a reservar tempo em exclusivo tanto para os seus filhos como para o novo(a) namorado(a). Busque o equilíbrio entre a nova paixão e os filhos.

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com

 


 

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