FOTOS

Incondicional, sentimento materno é marcado por expressões clichês

Apesar de não agradar alguns filhos, expressões características de mães soam de forma engraçada e podem representar preocupação e proteção por parte da mãe

 

Apesar de a maioria não gostar e muitas vezes até colocar o tema em pauta entre os amigos, as frases e comportamentos clichês característicos das mães têm, no geral, o intuito de educar e moldar os filhos nas diretrizes daquela família. Muita gente interpreta o perfil da mãe como chato e vitimista, principalmente quando elas dizem “você só vai dar valor quando eu morrer”, por exemplo. Mas, segundo especialistas, esse é um comportamento natural entre elas e isso pode significar instinto de proteção e defesa. O dia a dia corrido e agitado também é um vilão para a falta de paciência e gerador de estresse na relação entre mães e filhos.

“Essas frases são bem características daquela mãe que quer educar, mas que às vezes age completamente por instinto. Ameaçar dizendo ‘você vai ver quando chegar em casa’, por exemplo, não é algo emocionalmente adequado. A criança fica ansiosa, com medo e, dependendo do tempo que passar, a mãe nem se lembra da ameaça que fez quando chega em casa”, afirma a psicóloga comportamental e especialista em analise do comportamento Letícia de Oliveira, 30. Para ela, mães possuem um comportamento similar, principalmente com relação ao cuidado e a preocupação com os filhos. “Normalmente vemos mulheres que abrem mão, sem dificuldade, de seus prazeres, de trabalho e até mesmo da vaidade em prol de seus filhos. Acredito que amor de mãe é algo imensurável e incomparável”, diz Oliveira.

A professora e educadora social Eliana Toscano, 43, é um bom exemplo de mãezona atarefada, que vez ou outra, na hora do nervoso, acaba desabafando nos filhos e disferindo as famosas e marcantes frases ditas por quem é mãe. Com duas filhas, uma de 14 e outra de 9 anos, marido, cinco cachorros e quatro gatos dá para imaginar a correria que é o cotidiano da professora, que atua eminentemente em ONGs da Zona Sul de São Paulo. “Fico brava mesmo. Boto todo mundo pra correr. Falo, falo e falo nas orelhas. E eu já tenho o tom de voz alto. Claro, tudo isso é figurativo, porque eu respeito o E.C.A. (Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente). O importante é nunca perder o bom humor, porque, se levar tudo em ferro e fogo, você pira e enlouquece quem está em sua volta”, comenta Toscano.

 


Hábito comum entre os pais no geral, Eliana também costuma chamar os filhos pelo nome completo e pausadamente, quase separando as sílabas, quando está aborrecida ou quando eles estão fazendo algo de errado, desobedecendo. A professora também se depara repetindo atitudes que julgava como chatas e inconvenientes antes praticadas por sua mãe, o que ilustra a ideia de que algumas histórias se repetem e que às vezes a máxima de que “mãe é igual, só muda o endereço” pode fazer algum sentido em alguns casos. “De vez em quando me pego como a minha mãe e fazendo exatamente o que antes eu abominava. Aí eu paro, respiro, penso e mudo a atitude. Mas é tudo muito rápido, assim, em fração de segundos”, explica Eliana, que faz questão de ressaltar a consideração e o reconhecimento que tem pelos ensinamentos e educação passados através de sua mãe. “Tudo que sou hoje eu agradeço à Dona Elza Costa de Araújo, que está velhinha, pequenininha, surdinha”, diz.

A psicóloga e psicoterapeuta de crianças, adultos, casais e orientação familiar Cristiane Maluf Martin, 42, acredita que os costumes hereditários são evidentes no comportamento das mães, que tendem a imitar, ao menos em partes, a forma de educar e lidar com os filhos que seus pais noutros tempos faziam. “Seguimos os modelos das nossas mães que seguiram os modelos das nossas avós e com certeza nossas filhas irão seguir nossos modelos. Isso passa de geração para geração, é cultural”, defende Martin, que salienta a importância da compreensão por parte dos filhos com relação ao comportamento julgado como chato adotado por suas mães. “Apesar de muitas vezes rotularmos nossas mães de chatas, invasivas e grudentas, nunca devemos nos esquecer de que elas nos amam acima de qualquer coisa e que por seus filhos são capazes de dar a própria vida”, completa.

Para a doutora Cristiane Maluf Martin, o maior desafio da mãe está na busca pelo equilíbrio entre a boa educação e o excesso de permissividade, pontos muitas vezes confundidos. “Nós mães precisamos ser compreensivas sem ser fracas, dar amor e carinho sem esperar retorno, ter a coragem de dizer não na hora certa e impor limites na mesma medida da atenção, do carinho e do perdão. Sobretudo ser presente na vida dos nossos filhos”, comenta a profissional, que garante ser impossível compreender e entender perfeitamente o lado das mães sem se tornar uma. “Já as mulheres que fazem a opção por não terem filhos vão continuar saboreando a doce aventura de ser a filhinha da mamãe, independente da idade, porque para as mães os filhos nunca crescem”, pontua.

Sobretudo, é importante ter em mente que mãe, na grade familiar, pode se dizer, salvando as exceções, que é o laço mais forte de afetividade. É ela quem tem o poder de unir irmão e selar a paz na residência. Ou seja, o papel da mãe vai muito além da criação dos filhos. E respeitá-la é ato de grandeza e reconhecimento, mesmo quando o relacionamento parece delicado. “Mesmo as pessoas que ainda não têm filhos devem se colocar no lugar da mãe, para evitar conflitos ou muitas vezes a rotularem de chata”,
finaliza Cristiane Martin.

Algumas frases clichês ditas por mães:

•    “Você acha que eu sou sócia da Eletropaulo?”

•    “Se eu levantar daqui”

•    “Se eu for aí e achar, você vai ver”

•    “Você quer me matar, é?”

•    “Se eu sumisse você ia ver!”

•    “Vai me dar valor quando eu morrer”

•    “Quando eu tinha sua idade eu já trabalhava e ainda cuidava da casa.”

•    “Você me respeite, eu sou sua mãe!”

•    “Isso não é um quarto, é um chiqueiro!”

•    “Quando eu mandar você fazer uma coisa, é na hora que eu mandar.”

•    “Quer dormir com a bunda quente?”

•    “Eu vou contar até 3….”

•    “Isso! Quebra mesmo! Não foi você que pagou!”

•    “Em casa a gente conversa…”

 

Por Arilton Batista


 

Voltar