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Em ascensão, educação ambiental é fundamental dentro e fora da escola


Nunca se falou tanto, no mundo todo, em preservação do meio ambiente. No Brasil, em especial no estado de São Paulo, o tema em alta é a crise hídrica e as formas de economia da água por parte da população, que muito provavelmente nunca imaginou passar por uma situação tão delicada quanto essa. O brasileiro, no geral, pouco acreditou que um dia tivesse de trazer à tona pautas como o consumo consciente dos recursos naturais, tendo em vista a enorme riqueza encontrada por aqui. Mas os tempos mudaram e hoje, além do discernimento por parte dos adultos, é fundamental a educação ambiental para as crianças e adolescentes, que podem ser instruídos não só no ambiente escolar, mas também dentro de casa, com os pais e familiares.

Tendo em vista que as crianças menores predispõem-se a imitar o comportamento dos adultos, principalmente dos pais, a educadora e diretora executiva da empresa de consultoria ambiental Ideia Sustentável, Neuseli Martins Costa, 52, acredita que, além de educar e orientar os filhos, é preciso que seja dado o exemplo na prática. “O exemplo dos pais é fundamental na educação dos filhos. Como educadores, testemunhamos todo o tempo que, eminentemente na primeira infância, as crianças imitam as ações dos adultos, principalmente aqueles de sua maior convivência. Sendo assim, bons exemplos são fundamentais para o processo de conscientização de nossos futuros cidadãos”, defende a executiva, que é consultora pedagógica da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e possui mais de 30 anos de docência em ensino fundamental, médio, graduação e pós graduação.

Algumas atitudes podem incitar os filhos a práticas mais sustentáveis, como, por exemplo, passar a separar o lixo reciclável dos dejetos comuns, reservar em garrafas pet o óleo usado e destiná-lo a produtores de sabão, comprar apenas o necessário - evitando o desperdício -, reutilizar a água da máquina de lavar e da chuva para limpar o quintal, além de procurar fazer passeios em parques e espaços abertos, que propiciem maior contato com a natureza. Outro ponto observado por Neuseli Costa é a importância da cobertura por parte da imprensa, que tem buscado colocar em pauta, cada vez mais, temas relacionados à preservação do meio ambiente e levantar os pontos de atenção do setor. “Os meios de comunicação, sejam impressos, audiovisuais e/ou digitais, têm uma importância vital no desenvolvimento de uma consciência coletiva em relação às questões da sustentabilidade, sejam elas do ponto de vista da responsabilidade social, quanto da preservação ambiental, assim como do contexto econômico”, diz.


Educar as crianças e adolescentes com relação à preservação do meio ambiente, apresentando estudos, alternativas e mostrando o resultado positivo decorrente de uma população bem instruída ambientalmente tem sido, dia após dia, o objetivo das instituições públicas e particulares de ensino. Em 2007 a Unesco, em parceria com os Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, desenvolveu o programa “Vamos Cuidar do Brasil - Conceitos e Práticas em Educação Ambiental na Escola”, que apresenta propostas de como abordar o tema dentro das escolas desde as séries iniciantes até a conclusão do ensino, de maneira interdisciplinar e amplificada, como sugere o tema sustentabilidade. “Qualquer processo de conscientização nessa área, assim como em outras de interesse da população, devem estar inseridos no processo educacional como um todo, pois, mais do que informar, a educação busca formar cidadãos conscientes e críticos. Nós, como educadores, acreditamos que seja o caminho para um futuro ambiental, social e econômico mas responsável e seguro”, comenta a educadora Nelseli Costa.

O colégio Casagrande, localizado na região da Penha, vem trabalhando a questão da educação ambiental há quase 20 vinte anos. Segundo a diretora pedagógica do colégio, Cristhine Almeida, a escola trabalha sempre em conjunto com a família, que tem papel crucial no desenvolvimento do jovem. Segundo ela, a junção do esforço da instituição de ensino com o vindo dos pais é a chave para um futuro melhor no âmbito da sustentabilidade. “E assim, unindo as forças e os bons exemplos, a família, a escola e a sociedade como um todo podem levar as crianças e jovens a uma mudança de postura, para ações de maior responsabilidade com o futuro ambiental. Tanto para a reconstrução quanto, ao menos, para um maior respeito e a manutenção do que ainda resta no planeta”, comenta a diretora Cristhine.

As atividades desenvolvidas pelos alunos do colégio Casagrande não se limitam às aulas dentro da sala de aula. Segundo Cristhine Almeida, é trabalhado o estímulo à pesquisa e novas posturas que se estendam à prática do dia a dia, no uso consciente dos recursos naturais, da separação do lixo, da economia e reaproveitamento de água, do valor da energia, de ações sustentáveis e de respeito ao meio ambiente. “Realizamos nos últimos anos campanhas e atividades direcionadas a cada um dos fatores que constituem o ecossistema, estudando, pesquisando e divulgando não somente a importância deles para a vida na Terra, mas também as ações de preservação que devemos adotar nas nossas atitudes frente ao ar, terra, água e todos os reinos da natureza: mineral, vegetal e animal, através de campanhas, feiras culturais e passeios pedagógicos”, explica Almeida.

Professora de ciências e de biologia do colégio Fereguetti - também localizado na Penha -, Patrícia Landim da Costa Moura, 42, acredita não ser possível transformar a sociedade esperando apenas a ação da escola para uma mudança de conduta dos alunos. Para ela, o trabalho deve ser realizado em parceria com outras esferas da sociedade, como o governo, por exemplo. “A escola tem um papel fundamental na formação do aluno como um cidadão consciente e responsável, inclusive nas questões ambientais, uma vez que ele depende do meio ambiente para sobreviver. Porém, dizer que a educação ambiental nas escolas pode garantir um futuro mais seguro é utopia, pois deve existir uma ação conjunta entre governo, população, indústrias, entre outros”, diz a professora.

No colégio Fereguetti os alunos têm acesso à educação ambiental através das disciplinas de ciências e artes. Temas relevantes e associados ao meio ambiente e sustentabilidade são propostos pelos professores e debatidos com a classe e materiais recicláveis são utilizados para o desenvolvimento das atividades. Além dos debates e explanações, muitas vezes ideias de ações sustentáveis são propostas aos alunos, que podem praticar em casa, junto com a família. Segundo a professora Patrícia Moura, o resultado das atividades podem ser notadas nas próprias dependências do colégio. “Nossos alunos estão bem envolvidos com as questões relacionadas ao meio ambiente. Isso fica evidente no modo que eles deixam as salas de aula e o pátio  após o uso, sempre limpos. Nas atividades de campo realizadas não deixam o lixo nos locais visitados, os trazem para o colégio onde é descartado de maneira adequada”, conta.

Sobretudo, é importante ter em mente que as ações do homem no planeta são desgastantes e que cabe também a cada indivíduo contribuir para que os danos sejam minimizados e os reparos sejam possíveis. Para a diretora executiva da Ideia Sustentável, Neuseli Martins Costa, não se deve pensar que estamos cuidando exclusivamente do planeta e, sim, dos próprios seres humanos. Ela reafirma ainda que o bom senso e a educação devem partir de todos, não apenas dos jovens. “É importante ressaltar a importância do processo de conscientização de todos, sejam eles adultos ou crianças, de que somos responsáveis por zelar não só pelo planeta, mas principalmente pelas pessoas que o habitam. Perceber que cada vez mais nossa sociedade deve pensar no coletivo e de forma colaborativa, para que possamos criar de fato um futuro sustentável”, finaliza a profissional.
 

Por Arilton Batista


 

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