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Nos tempos da máquina de costura do lar


Allen Wilson inventou e fundou a primeira fábrica de máquinas de costura em 1849. Sua invenção foi considerada na época uma joia rara da engenharia mecânica. O movimento da agulha de costura era transmitido através de um pedal movimentado pelo costureiro.

A “Wheeler & Wilson” era uma das maiores indústrias do mundo com 2000 empregados na fabricação de máquinas de costura em Watertown, Connecticut, USA.

A empresa ganhou uma série de prêmios como na Exposição Industrial de Paris -1861, Salão Internacional de Londres-1862, e a Exposição Universal de Paris de 1868, 1878 e 1889. Em Viena, os proprietários foram condecorados com a ordem imperial de Francisco José.

Os motivos para tantos prêmios eram a excelência de fabricação, o progresso e a novidade nos mecanismos, a superioridade do trabalho feito pela máquina, o pouco ruído, a facilidade de manuseio, a velocidade de execução de uma costura e a durabilidade. Tanto que ainda existem unidades de propriedade de grandes colecionadores que ainda funcionam perfeitamente 100 anos depois. Custam uma fortuna no mercado de antiguidades.

Em 1905 a empresa foi adquirida pela Singer Company que manteve a marca até 1913, quando passou a adotar a sua própria. Como Singer, a máquina foi um sucesso no Brasil.

Na época das máquinas de costura caseiras, a Singer foi um marco na colina da Penha. Uma grande loja comercializava o produto na esquina da Pça. 8 de Setembro com a Rua Comendador Cantinho.

No tempo dos nossos avós, a Penha tinha um grande comércio de tecidos.

Com a eletricidade, as máquinas mecânicas foram substituídas pelas elétricas, muito mais rápidas e sofisticadas e tornaram- se um sonho de consumo das senhoras e das meninas.

Assim como a mulher de hoje desfruta fascinada um computador portátil, um “tablete”, nossas avós ou bisavós desfrutavam uma Singer como uma excelência em tecnologia de costura. Ganhar uma máquina dessa era um sonho. As mulheres caprichavam em se vestir de forma exclusiva criando suas próprias roupas. Nesta época, a Penha de França tinha um grande comércio de tecidos com muitas lojas de tecidos como a Decorações Vitale, Decorações Riviera, Decorações Catarino, Lojas Buri, Pernambucanas, Riachuelo, Imperatriz, Ao Barulho da Lapa, Contex, Ao Vulcão das Sedas e outras. Nos bazares, podiam se adquirir os periféricos e acessórios, linhas e lãs como o Bazar Tóquio, Bazar São José, Bazar São Geraldo, Neto e Miudezas e o grande Depósito de Linhas e Lãs Alvorada.

A máquina de costura numa residência era tão importante quanto uma geladeira ou um televisor. Dentro de uma lista de prioridades, vinha antes mesmo destes equipamentos. Primeiro a máquina de costura, depois a televisão. Afinal, naqueles tempos onde a elegância era mais importante que o conforto no vestir, a máquina de costura minimizava as despesas com roupas prontas, muito caras. Mas o que contava mesmo era a criatividade e exclusividade que a mulher buscava em suas roupas, algo que não tinha em loja alguma. Criar suas roupas para um baile de primavera, um casamento, uma fantasia de carnaval era fascinante, algo como um computador nos dias de hoje. Enquanto costurava, a mulher sonhava com a roupa pronta e o glamour do baile ou festa que estava por vir.

 

Memorial Penha de França bondepenha@uol.com.br • www.memorialpenha.com.br


 

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