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Prefeitura implementa novos tipos de sacolas para o comércio
Os dois novos modelos são feitos nas cores cinza e verde e devem ser reutilizados para o descarte de lixo comum e reciclável, respectivamente

A Prefeitura de São Paulo divulgou, no dia 15 do mês passado, através do Diário Oficial da Cidade, uma resolução sobre as novas sacolas que os estabelecimentos comerciais colocaram em circulação a partir do dia 5 de fevereiro. As sacolinhas tradicionais, brancas, foram substituídas por dois novos modelos com cores diferentes e que devem ser reutilizadas pelos consumidores de maneira específica. As sacolas na cor cinza são destinadas para o descarte de material comum, o lixo não reciclável. Já as sacolas verdes - a grande novidade - são especiais para o descarte de material reciclável; para a coleta seletiva. Comerciantes e consumidores que descumprirem a lei (15.374/2011) estão sujeitos a advertências e multas, que variam de R$ 500 a R$ 2 milhões para o comércio e de R$ 50 a R$ 500 para consumidores reincidentes. A fiscalização é feita pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

As principais diferenças entre os novos modelos e as antigas sacolas brancas, que passarão a não circular mais pelo comércio, são o tamanho e resistência, que foram aumentados, e a matéria prima, fruto de fontes renováveis. O consumidor deve descartar nas sacolas cinzas, por exemplo, restos de comida, papel higiênico, fraldas e bitucas de cigarro. As verdes são para metal, plástico, papel, embalagem de papelão, vidro, etc. O lixo comum, porém, também pode ser descartado em sacos de lixos convencionais ou noutras sacolas de plástico. O que o consumidor não deve é descartar lixo orgânico, comum, em sacolas verdes, destinadas à coleta seletiva - atitude passiva de advertência e multa, em caso de denúncia. As medidas das sacolas devem ser 48 centímetros por 55 centímetros e suportar até 10 quilos de produto - padrão internacional. O comerciante que quiser trabalhar com uma sacola menor deve utilizar qualquer outro material diferente do plástico. Papelão ou papel, por exemplo.

Segundo o estudante de publicidade e propaganda Tiago Silva, 20, a iniciativa da Prefeitura de São Paulo pode seguir o mesmo rumo da lei sobre o cigarro e a do cinto de segurança. Imaginar hoje em dia que há pouco tempo era comum cruzar com pessoas fumando em shoppings e lanchonetes é chocante. Noutras décadas era também habitual muitos motoristas ignorarem o uso do cinto de seguranças nos veículos e transportarem crianças no banco da frente. A ideia da cadeirinha no assento traseiro era algo impensável. Com a participação, incentivo e fiscalização mais acentuada do poder público houve uma mobilização por parte da sociedade nesse sentido. "Se a nova medida trouxer conscientização, além da obrigação com a implantação de multas, é bem provável que a reciclagem através das 'sacolas verdes' seja adquirida em nossa cultura, assim como aconteceu com o cigarro e o cinto de segurança. Apenas multar sem conscientizar não funciona", diz o estudante.

Atualmente o futuro publicitário não faz a separação do lixo reciclável em sua casa. A justificativa está nas informações desencontradas e também na deficiência dos serviços de coleta seletiva, que, segundo ele, não acontece na rua onde mora com os pais e a irmã, no bairro de Cangaíba, Zona Leste da cidade. "Eu não separo materiais recicláveis, mas com a nova medida essa questão será levada em consideração, tanto pela facilidade com que terei acesso às políticas de sustentabilidade [coleta seletiva] quanto pela obrigação imposta.  A penalidade aos infratores é válida se houver uma educação, para que essa medida seja adquirida na nossa cultura, e se tivermos meios de executá-la. É preciso que o caminhão de coleta passe em todas as ruas e haja uma fiscalização eficiente", comenta o futuro publicitário.

Bosco Carvalho, 62, jornalista, publicitário e diretor das revistas ecoLÓGICA, Fator Crea-DF e Perspectiva (CAU-GO), editadas pela QI Empresarial, acredita numa relutância por parte da população para aderir às novas normas propostas pela prefeitura, mas ressalta que é uma iniciativa importante e que deve fazer escola em demais cidades. "Com certeza algumas resistências e críticas à implantação irão ocorrer, já que as pessoas geralmente resistem às mudanças de hábitos. Mas entendo como uma medida necessária e um excelente exemplo a ser seguido por outras prefeituras, já que grande parte delas não conseguiu nem mesmo extinguir os famigerados lixões", diz Bosco, que crê no poder de transformação dessa inciativa, que, atrelada aos recursos tecnológicos e da internet, pode estimular a consciência sustentável nas pessoas. "A consciência ecológica é um processo longo, pois a humanidade sempre se viu como o ápice da criação e não como parte de um sistema onde tudo está interconectado. A internet pode ser um estímulo a esse 'sentimento' de unidade, já que possibilita uma comunicação praticamente instantânea entre todas as pessoas online, independente de localização e até de linguagem", explica o jornalista.

Entre as diversas vantagens em realizar a coleta seletiva dos materiais recicláveis estão a redução do consumo de energia, diminuição da exploração do solo, água e ar, melhora a limpeza da cidade, possibilita a reciclagem de materiais que iriam para o lixo, diminui o desperdício, cria oportunidade de fortalecer organizações comunitárias, etc. Kleib Fadel, 53, diretor executivo da Fadel Engenharia Ambiental, enfatiza que a implantação das sacolas verdes tem papel fundamental para a cidade, principalmente para os aterros e também para a água. "É importante a medida, uma vez que temos de usar materiais biodegradáveis e promover ao máximo a reciclagem de materiais, para não comprometermos mais ainda nossos aterros municipais e melhorar as condições dos aquíferos [espaços naturais subterrâneos que armazenam água] tanto superficiais como subterrâneo", diz. 

A coleta do lixo reciclável é realizada em dias diferentes aos da coleta convencional, do lixo comum, e varia de acordo com cada região. Algumas residências receberam um informativo impresso enviado pela prefeitura informando o dia da semana que acontece a coleta seletiva. No site da prefeitura [www.prefeitura.sp.gov.br] é possível consultar através do CEP e/ou o nome da rua. Há também os telefones 156 e (11) 3397-1723 para a consulta dos munícipes. Os moradores de regiões não atendidas pelo sistema de coleta seletiva não podem ser penalizados com advertência ou multas.

Por Arilton Batista


 

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