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Penha Portenha

O Tango portenho é um estilo de música binária e compasso dois por quatro que pode ser dançado tanto num salão popular como adquirir num palco de teatro ou de rua uma coreografia bem complexa. É um Patrimônio Cultural da Humanidade declarado pela UNESCO em 2009. Nascido no Uruguai e consagrado na Argentina, no Brasil o estilo se difundiu pelos cassinos e bares do Rio de Janeiro. O Tango foi um sucesso popular nas décadas de 40 e 50, tido como época dourada do tango na colina da Penha de França. Penhenses que viveram naquela época como Ivan Vitale e Sergio Bastos contam do glamour que envolvia o estilo. Os homens tinham que vestir um “smoking” com faixa na cintura e sapatos de bico fino, coberto pelas calças com uma sutil “boca de sino”, camisas com abotoaduras douradas. As mulheres de vestidos, salto alto grosso, cabelos presos, colares, broches, pulseiras, gargantilhas e um lencinho em torno do pescoço completavam a atmosfera romântica mas com muita sensualidade.
Os grandes ícones do tango na colina da Penha como em toda a cidade de São Paulo foram Carlos Gardel, Júlio de Caro, Edgardo Donato e outros. Os compositores brasileiros de tango também tiveram grande sucesso como “A Vingança de Cupido” de Lina Pesce, gravada na Polydor pelo maestro Enrico Simonetti e Seus Ritmistas, “Hoje Quem Paga Sou Eu” de Herivelto Martins e David Nasser, interpretado por Nelson Gonçalves, um dos maiores cantores de tango no Brasil. Um LP brasileiro de tango, “Tangos Nota 10” de José Fernandes e Sua Orquestra Típica virou um cult, hoje, disputadíssimo no mercado por colecionadores do gênero.


Caderno de letras de tango de Alfredo Lepera, compositor de
Gardel, letrista do famoso “Por Una Cabeza”. Lepera nasceu aqui em
São Paulo e foi batizado na Penha.
 

Uma curiosidade que é desconhecida até pelos argentinos. O grande ícone do tango, Alfredo Le Pera, que compunha para Gardel, nasceu na cidade de São Paulo e foi batizado na Igreja de N. Sra. da Penha, conforme cópia deste registro de posse de Eugênio Cantero Sanchez, apaixonado e estudioso do tango.
O tango continua enraizado na Argentina, mas pertence ao mundo. O filme “Café dos Maestros” de Miguel Kohan, uma película que conquistou o público jovem em 2009 e revitalizou o estilo que hoje está presente em várias academias de dança de salão pela cidade, revelou uma série de talentos portenhos para o mundo. A chave para se ver este filme e entender o fenômeno está logo no início quando um dos personagens diz uma frase que sintetiza o que é o tango: “Não de pode separar o tango da vida”.


Carlos Gardel em foto promocional do filme O Tango na Broadway, de 1934. 
Este filme foi exibido no Cine Penha-Theatro em 1941
 

O Centro Cultural da Penha vai apresentar neste mês de Novembro o espetáculo “Penha Portenha”. Teca Spera, diretora do Centro Cultural, dá os detalhes deste evento: “O Tango será o tema deste espetáculo. Para que tenhamos uma atmosfera bem apropriada ao estilo, teremos música acústica ao vivo com o Trio Al Sur composto por Alejandro López Jericó, Sebastião Bazotti e Celso Amâncio, e no decorrer da apresentação, uma contação de histórias do tango com o Eugênio Cantero Sanchez, um pesquisador que conhece muito o assunto. Estamos trazendo também o professor de dança Leandro Spies para interagir com a plateia, convidando-os para aprender e dançar o tango.” 
A direção artística é do arte-educador Francisco Folco.

O espetáculo acontece nos dias 13 e 19 deste mês, as 219h30, no Teatro Martins Penna do Centro Cultural da Penha, Largo do Rosário, 20. Entrada Franca.
 

Memorial Penha de França
bondepenha@uol.com.br  •  www.memorialpenha.com.br

Fotos: Acervo do Memorial Penha de França

 


 

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