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Colégios se adaptam ao estilo de vida do novo jovem

Por Arilton Batista

A comparação entre os atuais modelos e as metodologias de ensino das escolas com os formatos de outras décadas é praticamente inevitável. Quase que constantemente o assunto vem à tona, sempre com tom nostálgico ou apenas reflexivo, ressaltando como o jovem de hoje possui mais autonomia, é mais participativo nas tomadas de decisões e se tornou mais questionador. Essa mudança no estilo de vida e comportamento dos adolescentes se dá em partes em virtude da estruturação da família e a forma como ela se constrói atualmente, quando se há mais espaço para o diálogo e até as escolhas mais simples são definidas democraticamente, com a participação dos pais e dos filhos. As figuras paternas e maternas, por exemplo, hoje em dia se misturam, trocando tarefas antes realizadas rigorosamente por um ou por outro. Similarmente acontece na sala de aula, onde outrora o professor era fonte única de informação.
De mãos dadas com a mudança estrutural das famílias e do novo olhar do jovem frente à sociedade está o processo de evolução da tecnologia e o acesso, cada vez mais assíduo, aos elementos da informática e da internet. Hoje, com ferramentas cada vez mais eficazes e velozes no setor tecnológico, os alunos, que antes tinham o professor e a escola como fonte direta - e praticamente única - de aprendizado e formação, hoje buscam na grande rede se manterem informados e a par do que acontece no mundo, podendo formar conceitos, debater e contestar sobre temas já abordados no ambiente escolar e até assuntos distintos, ainda não postos pelo colégio. Ou seja, unida com as diretrizes da escola, a tecnologia tem se tornado, sempre mais, essencial na formação dos novos jovens. E as escolas têm se adaptado para aproveitar o alto potencial da geração de jovens sumariamente conectados.
“As escolas estão, sem dúvida, sendo compelidas a adaptarem suas propostas de ensino e, mais especificamente, suas estratégias e metodologias de aula, uma vez que com o advento das TIC´s (Tecnologias de Informação e Comunicação) surgiu um ‘novo jovem’, acostumado a interagir e explorar os mais diversos assuntos com dinamismo e rapidez, o que requer a adaptação tanto na parte estrutural quanto no sistema didático que a escola utiliza”, explica Cristhine Almeida, diretora pedagógica do Colégio Casagrande. A interação e a participação com os alunos através da tecnologia acontece também noutras renomadas instituições de ensino da região, como, por exemplo, nos colégios Fereguetti, Batista da Penha, Monte Virgem e Objetivo. “O colégio aproveita a tecnologia aplicando recursos enriquecedores, como a enciclopédia online, notebook, datashow, lousa digital, entre outros, fazendo a inclusão da escola na nova cultura que os jovens confiam. A tecnologia tem influência direta no cotidiano dos nossos jovens. Por oferecer um contato com o mundo, possibilita ao professor utilizar inúmeros recursos e ampliar um leque de possibilidades dentro da proposta de ensino e no relacionamento do aluno com a escola”, comenta Fátima Spinoza, diretora do Colégio Monte Virgem.

Para Karina Fereguetti diretora pedagógica do Colégio Fereguetti, o “novo jovem” incorporou uma nova visão de mundo: “Hoje, sabemos que os alunos chegam à sala de aula munidos com uma série de ideias próprias acerca dos assuntos que serão discutidos durante as aulas por isso, levar em conta os conhecimentos prévios dos educandos representa um dos aspectos mais importantes no processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, buscamos interagir com o mundo ao nosso redor adaptando-nos a cada novo momento. Caso contrário, ficaremos ultrapassados o que no caso da educação, é impossível”, explica.
Segundo Noemi Alcaraz, diretora do Colégio Objetivo Penha, as novas tecnologias e os avanços da informática exigem que os educadores e os colégios, além dos próprios alunos, se aprimorem e atualizem-se, a fim de manter condições de interação entre si através das novas ferramentas. “O mundo atual impõe a educadores, crianças e jovens a tarefa de absorver as novas tecnologias, sem as quais qualquer atividade profissional e até mesmo a vida cotidiana se tornarão inviáveis”, diz, ressaltando e relacionando o poder transformador da tecnologia com o início das atividades da imprensa no país: “Formar o indivíduo para um mundo globalizado e para os seus novos parâmetros envolve a capacidade de utilização dos recursos infindáveis da informática, da computação, da telemática e das infoways, que compõem uma revolução cultural tão transformadora quanto foi, no seu tempo, a invenção da imprensa”.
No Colégio Batista da Penha o estímulo ao manuseio de ferramentas tecnológicas e da internet também estão em pauta, principalmente quando em conjunto com as atividades escolares. Segundo o diretor executivo da escola, Mário Jorge Castelani, a ideia é fazer com que os alunos propaguem o que aprendem no ambiente escolar e também se interessem ainda mais pelo conteúdo da aula através da internet. “A tecnologia já está instalada na vida secular e escolar de nossos alunos. A nossa proposta é usar a tecnologia para beneficiar os alunos e proporcionar um ensino e conhecimento de excelência, estimulando o aluno a criar maior interesse pelos conteúdos trabalhados pelos professores e a transmissão dos conhecimentos através do uso da tecnologia, a qual facilita e desafia de forma mais objetiva nossos alunos. Estamos planejando isto há anos e, a partir de 2014, começamos a implantação”, explica Castelani.
Para Karina do Colégio Fereguetti é importante uma utilização produtiva da tecnologia. “Os procedimentos didáticos, nesta nova realidade, devem privilegiar a construção coletiva dos conhecimentos, mediados pela tecnologia, na qual o professor é um partícipe pró-ativo que intermedia e orienta esta construção. Trata-se de uma inovação pedagógica fundamentada no construtivismo sociointeracionista que, com os recursos da informática, levará o educador a ter muito mais oportunidade de compreender os processos mentais, os conceitos e as estratégias utilizadas pelo aluno e, com esse conhecimento, mediar e contribuir de maneira mais efetiva nesse processo de construção do conhecimento”, esclarece a diretora.
Além dos sites, blogs e espaços públicos oficiais na internet, que permitem o acesso a informação, existem também as páginas e comunidades dentro das redes sociais que servem de auxílio, fonte de conteúdo e estimula a reflexão dos internautas sobre inúmeros temas. No Facebook, por exemplo, que é a rede social mais utilizada pelos brasileiros, as páginas voltadas para política são bastante fervorosas e têm seus conteúdos dissipados pelos usuários. Em ano de eleições - como agora, em 2014 -, a multiplicação de dados e informações, muitas vezes históricas, saltam a todo momento na primeira tela das páginas. Este, inclusive, é um cuidado que se deve ter quando o tema é internet. Como o acesso é livre e a velocidade da informação é muito mais rápida, há os mal intencionados que se aproveitam disso levantando falsos dados e informações; gerando boatos e fofocas a cerca de determinado tema com o intuito de se promover ou manipular um grande número de pessoas. Por isso a atenção com esses espaços na internet é preciso ser redobrado.
O jornalista e diretor da agência Retorno Comunicação Estratégica, Thiago Paes, 35, comenta sobre a importância do cuidado que se deve ter com as informações contidas principalmente no Facebook, pois hoje em dia todos os que possuem perfis nessas redes sociais podem ser vistos como “especialistas” em determinados ramos e setores através das postagens, republicações de conteúdo e comentários feitos. “Hoje em dia todos nós podemos ser cientistas, políticos, técnicos de futebol, críticos musicais, pois as redes sociais, com a liberdade que nos proporciona e com o retorno oferecido, nos permite a expressão sem filtro. Mas esta ausência de destino é uma via de mão dupla, pois da mesma forma que ela torna pública a nossa opinião, promovendo em muitos momentos um debate sadio acerca de temas importantes para nossas vidas, em certos momentos o uso desenfreado das redes como ferramenta de busca e emissão de informação pode ser uma verdadeira armadilha, pois um simples erro em checar um dado, em citar algo/alguém pode ser interpretado de diferentes maneiras e gerar consequências inimagináveis”, diz Paes.
Confrontando a realidade do jovem atual com os jovens de décadas passadas, como nos anos de 1980, 1990 e até mesmo o início dos anos 2000, quando a juventude tinha menos liberdade ou informação para contestar, é possível enxergar a diferença entre as realidades, principalmente no sentido da comunicação, do acesso à tecnologia e ao estilo e postura social, além da estruturação familiar. Tendo a consciência de que as ferramentas digitais e tecnológicas são fortes aliadas na construção da educação e no processo de aprendizagem, os colégios com visão apurada e estratégica buscam alinhar seus métodos de ensino para aproveitar ao máximo as habilidades do chamado novo jovem. No Colégio Objetivo Penha, por exemplo, o maior incentivo em se manter adaptado aos anseios dos alunos vem da força da tradição. “A confiança da sociedade na nossa tradição de ensino nos estimula a investir cada vez mais no nosso trabalho, a desenvolver e incorporar recursos e métodos pedagógicos cada vez mais modernos e eficientes, que atendam às exigências de nossos alunos, professores”, diz a diretora Noemi Alcaraz.
O Colégio Casagrande aposta na ideia de fazer com que os alunos entendam que eles são parte da construção do conhecimento produzido dentro da sala de aula. “Incentivamos o uso das tecnologias, do som e da imagem nas aulas e pesquisas e promovemos campanhas nas quais o aluno é sempre sujeito ativo, que colhe os frutos da própria ação”, explica Cristhine Almeida, diretora pedagógica da escola. O diretor executivo do Colégio Batista da Penha, Mário Jorge Castelani, explica que o Batista se põe como parte da família do aluno, e que tem como papel a formação do jovem, ao lado dos pais. “A família é o porto seguro dos nossos jovens e o nosso colégio atua como a extensão dela na formação dos nossos alunos, proporcionando regras sociais e sadias para que eles possam usar o potencial riquíssimo adquirido através da tecnologia e também na experiência diária de vida escolar e social”, afirma Castelani. Diretora do Colégio Monte Virgem, Fátima Spinoza ressalta a importância dos computadores no cotidiano dos alunos e também a participação dos professores do processo de pesquisa na internet, além da assertividade em comparar fontes de busca. “O computador é indispensável para facilitar as pesquisas. Não é mais necessário ir até a biblioteca e voltar abarrotado de livros. É possível trazer imagens com movimentos e informações em tempo real, enriquecendo o aprendizado. Geralmente, os professores indicam sites confiáveis e solicitam várias fontes de pesquisa para que haja o confronto de informações”, explica Spinoza.
Karina Fereguetti destaca que numa sociedade digital e em permanente transformação, o professor deve estar preparado para capacitar seus alunos a desenvolverem competências para resolver situações complexas e inesperadas e necessita, também, encarar a si mesmo e a seus alunos como uma equipe de trabalho com desafios novos e diferenciados a vencer e com responsabilidades individuais e coletivas a cumprir. “Esse é um processo de reequilibração permanente. Uma incessante busca do equilíbrio pela interatividade, do prazer de trabalhar em conjunto, do desejo de aprender”, finaliza Karina.

 


 

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