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Atividades físicas são aliadas da saúde e do desenvolvimento infantil

Cada vez mais, nos dias de hoje, com a forte expansão da tecnologia, muita gente tem negligenciado a prática de atividades físicas, dando preferência para tarefas relacionadas a aparelhos eletrônicos, como computadores com internet, televisão, videogames e celulares. A atual geração de jovens adultos (entre 20 e 40 anos) talvez seja a última que teve uma infância menos relacionada com tecnologia avançada, com inúmeras opções de entretenimento chamando a atenção estritamente para dentro de casa, do quarto e da sala. Os videogames atuais permitem partidas online. Ou seja, um jogo eletrônico de futebol, por exemplo, que antes para ser praticado em dupla era necessário o deslocamento de um dos participantes até a casa do colega, hoje possibilita que cada jogador brinque da sua casa, fazendo a interação através da tela, por meio de mensagem e/ou com fones e microfones. É visto que a tecnologia tem o poder de acomodar as pessoas dentro de suas residências. Por um lado é vantajoso. Por outro, é preciso atenção. Principalmente tratando-se das crianças. 


Foto: fitnesskids.wordpress.com/danilofantonio

É pouco comum que meninas e meninos pequenos, atualmente, brinquem com bolinhas de gude, peão, pipa; se exercitem através de brincadeiras como esconde-esconde, pega-pega, mãe da mula, rouba bandeira, queimada, quatro cantos e muitas outras, que, além do poder de entretenimento, proporciona ao praticante a vantagem de estar com o corpo em constante movimento. A ausência da prática de atividades físicas, em conjunto com a má alimentação, pode causar complicações na saúde, como colesterol, pressão alta, ansiedade e depressão. Professor de educação física e coordenador de futsal de base no CEP - Clube Esportivo da Penha, André Romano Barroso reconhece a diferença entre as gerações de crianças. "O maior entretenimento que existia nas gerações anteriores eram brincadeiras entre pessoas que se viam, se tocavam. Ou seja, havia uma interação real. As ruas eram ocupadas por crianças. Os pais sentiam-se seguros por saberem que seus fi lhos estavam ocupados, e as crianças se divertiam de forma mais sadia e, ao meu ver, mais inteligente. A cultura das brincadeiras de rua era permanentemente valorizada, sem contar a criatividade para que outras brincadeiras surgissem", diz Barroso.

Especialistas apontam que a ausência da atividade física das crianças está eminentemente ligada aos casos de sobrepeso e obesidade entre os pequenos. Alimentação rica em açúcares, gordura e a falta da prática de esportes compactuam o sedentarismo, que apesar de ignorado por muitos, é uma doença que pode causar a morte se não revertida. "Hoje em dia o principal passatempo das crianças tem sido a TV, os tablets, os celulares e smartphones, ou seja, tudo aquilo que os mantém parados, assim aumentando a possibilidade das crianças se tornarem
obesas, sedentárias", comenta o professor André Romano Barroso, que ressalta a importância dos elementos tecnológicos e alerta sobre o papel dos pais no controle  do uso. "A vinda dos adventos tecnológicos é sempre interessante. O problema é o mau uso e a total falta de controle por parte das crianças. Além do limite por parte dos pais", pondera.

Os benefícios da prática esportiva na infância são diversos. Só no campo da saúde corporal podem-se ser citados o condicionamento físico, a melhor cadência da respiração e da circulação sanguínea, equilíbrio, fortalecimentos dos músculos e muitos outros. No âmbito psicológico a atividade física traz vantagens comprovadas no combate a ansiedade e depressão, na diminuição do estresse e da tensão, além de promover o bem-estar, o prazer e dar motivação, por meio da liberação de substâncias específi cas pelo cerébro, como as endorfi nas, por exemplo. Muitos exercícios funcionam para as crianças como um treino da expressão e comunicação. Os esportes coletivos ajudam no aprendizado da importância do trabalho em equipe.

Não há regras, mas existem atividades mais adequadas de acordo com a faixa de idade de cada criança. Até o primeiro ano de vida o ideal é que se estimule o bebê por meio de brinquedos que imitem sons, esconder e encontrar objetos, gesticular e incentivá-lo a imitir. Entre o primeiro e o terceiro ano é interessante promover atividades que incentivem a participação da criança,
como a dança, o canto e o manuseio de objetos. Dos três aos cinco anos o indicado são brincadeiras que envolvam as habilidades motoras básicas, como correr, pular, chutar e saltar; pega-pega é uma brincadeira indicada para essa idade. Entre cinco e oito anos já podem ser inseridos os jogos com regras simples e atividades que exigem habilidades motoras específi cas, como os jogos
com alvo e cooperativos. Dos oito aos 14 anos é o momento em que a criança pode começar a decidir o que realmente tem mais afi nidade e já escolhe um esporte para se especializar - futebol, natação, lutas, vôlei, basquete, ginásticas, tênis, etc.

É importante que os pais e os responsáveis pelas crianças saibam medir a maneira como conduzir o incentivo ao esporte, pois pressionar os fi lhos para a prática ou induzi-lo a seguir para um determinado ramo esportivo pode causar repulsa e até mesmo afastá-lo do meio. "Os esportes podem ser introduzidos desde que com intenções de desenvolver a criança, e não somente
especializá-lo, afi m de torná-lo um 'mini-adulto'. Eu acredito que a partir dos 10 anos seja o momento de introduzir a competição, mas sem maiores pressões, de modo que a criança não se canse da vida de esportista. Inúmeros fatores podem afastá-la, principalmente a cobrança. O ideal é que entre os 12 e os 14 anos o adolescente já faça as suas escolhas e opções do que pretende fazer, pois o ele já adquiriu um repertório motor, além das relações com a vitória e a derrota, inerentes ao jogo", finaliza o professor e coordenador de futsal do CEP - Clube Esportivo da Penha, André Romano Barroso.

Por Arilton Batista


 

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