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Aves de estimação exigem cuidados específicos

Alimentação, atenção com a saúde, poda das asas e estímulo da fala são algumas peculiaridades dos pássaros criados em casa

Quando se pensa em animal de estimação tão logo se imagina um cachorro ou um gato. São, para alguns, os bichos mais populares e domesticáveis. Os pássaros, entretanto, são também pets bastante dóceis e que podem se tornar bons companheiros, interagindo com os donos, cantando e, em alguns casos, até formando palavras e frases completas. Mas a aquisição de um animal de penas ainda gera certo receio em algumas pessoas, que acreditam ser um ato maldoso, pois privariam o passarinho da liberdade de voar, caçar, etc. Além disso, existem as questões legais e burocráticas, que giram em torno do registro do animal no IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Identificar o animal que foi concebido e criado em criadouros é, relativamente, uma tarefa simples e requer a princípio apenas a observação. 
O primeiro passo é verificar se ele possui numa das patas uma anilha prateada, que é uma espécie de anel com o número de registro no IBAMA. Outro ponto de atenção é com relação ao comportamento do bicho. Passarinhos criados fora da natureza geralmente são mais sociáveis, dóceis e não têm medo de pessoas. Segundo a veterinária da clínica Droga VET e especialista em comportamento animal Mônica Veras, não há com o que se preocupar nesses casos. “As pessoas não devem ter receio. Aves que já são criadas em cativeiro não têm mais chances de sobreviver na natureza e estão adaptadas ao ambiente menor, como gaiolas. Já os animais que são capturados na natureza possuem comportamento mais agressivo e, por conta do estresse de ficar em um ambiente pequeno e fechado, acabam morrendo”, explica. 


Mas criar passarinho em casa não tem somente o lado gostoso e confortável. As aves, assim como os cães e os gatos, também precisam de cuidados específicos, alimentação adequada, higiene e visitas ao médico veterinário. Como esse tipo de pet vive geralmente dentro de gaiolas, num espaço delimitado, muita gente negligencia esses afazeres. A veterinária Mônica Veras faz o alerta sobre a atenção que deve ser dada aos bichos de penas criados em casa. “Antes de adquirir uma ave, a pessoa precisa levar em conta se haverá espaço para instalação da gaiola, que o animal deverá ter acompanhamento veterinário periódico, além dos cuidados com alimentação, manutenção e higienização correta da gaiola”, alerta a profissional. A alimentação dos pássaros deve ser selecionada com bastante cautela, afinal, os bichos também correm o risco de ficarem obesos e sofreram com complicações na saúde similares aos humanos e outros animais. A alface, por exemplo, tem efeito calmante no organismo dos bichos de pena. Ou seja, alimentá-los com essas folhas os tornarão menos cantantes. O chocolate, além de não ser um produto para animais, pode ser especialmente fatal para as aves por possuir lactose, grande quantidade de açúcar e teobromina – substância tóxica para aves. “Cada espécie tem uma alimentação específica. É preciso ficar atento e sempre consultar um médico veterinário especialista em aves. Podem ser adicionados frutas e legumes na alimentação também”, diz Mônica Veras. Outro detalhe importante para o desenvolvimento do animal é disponibilizar um pequeno pote com areia limpa e fresca, para que o pássaro tenha uma melhor digestão dos alimentos. O produto pode ser adquirido em pet shops. Areia de rua não indicada, pois podem estar contaminadas e prejudicar a saúde do bichinho. Apesar de parecer cruel e doloroso, a poda das asas não dói e é extremamente necessária para evitar que o passarinho fuja ou se machuque tentando voar dentro de casa. Como não possuem habilidade para alçar voo, a queda é quase certa. Segundo a especialista em comportamento animal Mônica Veras, é importante que os dois lados sejam aparados. “É recomendável que se faça a poda das asas, desde que seja realizada bilateralmente, ou seja, nas duas asas. Muitos podam apenas uma delas. Mas, mesmo assim, o animal pode voar. Caso isso aconteça, ele não consegue voar por muito tempo, acaba se desequilibrando, caindo e se machucando, na maioria dos casos”, comenta. Somente as pontas das penas devem ser cortadas. Em caso de dúvida ou insegurança para realizar o procedimento, é aconselhável que o bicho seja levado até um profissional capacitado. Se feita de maneira exagerada, a poda pode acarretar num sangramento. Algumas espécies de aves possuem aptidão em aprender a falar palavras e até frases completas. Calopsitas, papagaios e maritacas são os tipos mais conhecidos. Para treinar o animal a “conversar” com o dono é preciso, sobretudo, carinho, paciência e insistência. Segundo Mônica Veras, esses pets aprendem a reproduzir sons. “Essas espécies de animais, na verdade, repetem o som que ouvem. O melhor jeito que ‘ensinar’ um papagaio ou uma maritaca a falar é repetindo por muitas vezes a frase ou a palavra. Assim a ave consegue absorver melhor”, explica. A atenção deve ser redobrada quando o animal apresentar comportamentos diferentes dos habituais. O mais comum, quando o bicho está adoentado, é encorujar-se e parar de se alimentar. O veterinário deve ser consultado nessas situações, para evitar complicações maiores para o pet. “A ave deve ser levada ao veterinário sempre que ficar longos períodos sem se alimentar; se ficar no fundo da gaiola e não brincar; quando ficar tirando as penas com o bico; quando as fezes, que geralmente são brancas e esverdeadas, ficam mais esbranquiçadas. Todos estes sintomas podem ser sinais de estresse ou de alguma doença. Algumas espécies, como as calopsitas, também podem ser levadas ao veterinário para tomar vacinas contra gripe, por exemplo. Mas essa situação não é comum”, finaliza Mônica Veras.

Por Arilton Batista


 

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