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Entrevista com Vera Gimenez 



Vera Gimenez nasceu em São Paulo, é mãe do ator Marco Antonio Gimenez e da apresentadora Luciana Gimenez. Vera foi símbolo sexual e sua vida daria um ótimo roteiro de cinema. Aliás foi esse veículo que a consagrou como atriz. Foi casada com o ator e diretor Jece Valadão. Viveu momentos difíceis nos anos 90, devido a um câncer. Hoje curada, porém os trabalhos ficaram mais escassos. Salvo apenas umas participações em novelas seja da rede Globo ou SBT. Em conversa com o ator e diretor Cauê Bonifácio conheça um pouco mais dessa maravilhosa atriz. 



City Penha: Tem algum personagem de alguma novela que você gostaria de ter feito? Por que? 
Vera Gimenez: Não. Fiz vários personagens seja em novela ou em cinema. Todos muito bons. Nenhum em especial. Nunca tive vontade de fazer esse ou aquele personagem. Mas todos que me deram foram feitos com muita dedicação e carinho. Já quis sim estar em uma novela que na época era “Que rei sou eu”. 

City Penha: Conte alguma experiência engraçada que já te aconteceu durante tantos anos de carreira. Vera Gimenez: Foram várias, mas uma que me lembro bem. Uma vez cai em um evento social, foi numa festa na casa da Beth Klabin. Na época eu estava casada com Jece Valadão e tinha acabado de chegar ao Rio e a casa da Beth, era o top do top e na hora de sair eu escorreguei e fui deslizando até quase a porta. Foi pavoroso. 

City Penha: Percebo em você uma defensora ambiental. O que nesse tema mais te preocupa? 
Vera Gimenez: Acho que hoje em dia as pessoas não se preocupam mais em reciclar o lixo. Na minha opinião as pessoas podem e devem reciclar o lixo e fazer uma série de coisas simples para tentar melhorar o mundo. Eu costumo separar o lixo, embora no meu prédio não tenha reciclagem. Procuro fazer as coisas mais certas possíveis. Resumindo o que falta no mundo é ética. Roubam na cara de pau. 



City Penha: Como foi seu início de carreira na TV e como foi sua estreia no cinema? 
Vera Gimenez: Comecei em 1967 na extinta Tv Excelsior na novela “Os Fantoches”, de Ivani Ribeiro, com direção de Walter Avancini. Essa novela despertava a curiosidade do público. Por ser uma história cheia de mistérios que envolviam os principais personagens que eram vividos por um time de atores do primeiro time da emissora. Entre eles Regina Duarte, Mauro Mendonça, Nicette Bruno, Paulo Goulart, Stênio Garcia e Dina Sfat. Depois dessa novela vieram outras também de grande sucesso como Escalada, Anjo Mau, Duas Vidas, Marina, Guerra dos Sexos, A Próxima Vítima e tantas outras. Já no cinema comecei nos anos 70 no filme Lua de Mel e Amendoim com a direção do Pedro Rovai, logo depois vieram Tô na Tua, Ô Bicho, As Loucuras de um Sedutor, A Noite dos Assassinos, Eu Matei Lúcio Flávio, A Filha dos Trapalhões, A Freira e a Tortura. E esse último, A Freira e a Tortura, foi ao lado do David Cardoso. O filme fez muito sucesso. Inclusive na época o David Cardoso, que também era o produtor, ficou entre eu e Maria Isabel de Lizandra para o papel da freira que acabou ficando comigo. 

City Penha: Quais seus planos futuros? 
Vera Gimenez: Não costumo fazer planos, mas quero voltar a trabalhar, seja em TV ou teatro. Gostaria de ser convidada a fazer uma peça de teatro do gênero comédia. 


City Penha: Sei que você fez alguns filmes com Jece Valadão na época seu marido. Como era essa convivência? 
Vera Gimenez: Era tranquila, mas não pense que ele me dava moleza só porque eu era esposa dele, tanto que no filme Obsessão o papel principal era da Rossana Ghessa. Em A difícil vida fácil era a Sandra Barsotti a protagonista. Quando eu falava alguma coisa ele dizia que eu tinha muita coisa para fazer antes de chegar lá. 

City Penha: Teatro você fez pouco. Quais foram?
Vera Gimenez: Sim fiz poucas peças. Fiz Uma noite em sua cama, com Pedro Paulo Rangel. A Gaiola das Loucas em 1994 e Alan Kardec. Lembro também da peça Mulher integral do Carlos Eduardo Novaes, que tinha também no elenco a Yoná Magalhães. Fiz poucas peças porque eu tinha um grande defeito, se eu não acreditasse no projeto eu não ia em frente. Na peça Allan Kardec um passo da eternidade, eu amei fazer, ai veio Amores de Tenesse Williams em 1987 que teve temporada em São Paulo. 

City Penha: Li algo sobre você, em que você cita que é polêmica. Porque? 
Vera Gimenez: Às vezes é preciso ser polêmica sim. Quando eu era mais nova eu participava de vários movimentos estudantis. Hoje não sou mais polêmica, mas sou defensora dos animais e do meio ambiente. Não participo de nenhuma ONG, mas ajudo divulgando e quando posso ajudo financeiramente alguns protetores. Lady Francisco também defende essa causa dos animais. 

City Penha: Às vésperas da novela Kananga do Japão, Tizuka Yamasaki tira você do elenco colocando no seu lugar outra atriz. Como foi para você receber essa notícia? 
Vera Gimenez: Realmente foi um dos grandes choques da minha vida. Eu já estava contratada. Fiquei contratada um ano na Manchete, eles foram obrigados a me pagar durante esse ano todo. A Tizuka na véspera da gravação, me tirou da novela. Eu na época já estava ensaiando com o Raul Gazola, foi quando ela me ligou e pediu para que eu fosse conversar com ela. Quando cheguei lá, estava junto com ela o Carlos Araújo e o Jayme Monjardim. Então ela me disse que não queria que fizesse alegando que eu não havia cortado o cabelo como deveria, depois veio com um papo de que eu não tinha afinado a sobrancelha, dizendo que eu não sabia dançar. Enfim ela arrumou vários pretextos para me tirar dessa novela. Quem acabou fazendo o personagem que era para mim foi a Tamara Taxmann. Chorei muito. Essa é uma das coisas que mais me revolta em ser atriz. Te dão um papel e sem mais nem menos tiram e colocam outra atriz no seu lugar sem um motivo óbvio. Mas enfim nada como um dia após o outro. 

City Penha: Deixe uma mensagem para os leitores da nossa revista? 
Vera Gimenez: Desejo a todos muita paz saúde e amor e deixo um conselho votem com consciência! beijos.


 

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