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Comportamento do pai ? pontual na educa??o dos filhos A psicologia, em termos gerais, j? mostrou que o ditado ?fa?a o que eu digo e n?o o que eu fa?o? n?o funciona efetivamente na pr?tica, principalmente quando est? em pauta a rela??o entre pais e filhos pequenos. A tend?ncia, principalmente antes dos quatro anos de idade, ? que a crian?a se espelhe no comportamento e nas atitudes dos pais. Em suma, meninos imitam o pai; meninas, a m?e. Ou seja, tanto pai quanto m?e deve ter em mente o tamanho da responsabilidade em se mostrar e ser uma boa pessoa, com valores e diretrizes exemplares. Sendo assim, a possibilidade dos filhos se tornarem cidad?os com bom car?ter, educados, etc. ? maior. Com a evolu??o dos estudos nesse aspecto, muito se comenta tamb?m sobre a atitude do pai em beber ou fumar na presen?a dos filhos pequenos. Muita gente, fumante ou ex-fumante, por exemplo, diz que, na inf?ncia, imitava os pais simulando um cigarro com o l?pis na escola; outros seguravam o copo de suco como se fosse uma lata de cerveja outrora nas m?os do pai. O cientista pol?tico e soci?logo da Universidade de Bras?lia R?cio Barreto explica que, muitas vezes, por acreditar n?o ter relev?ncia, os adultos consomem ?lcool na presen?a dos filhos e que isso pode, sim, sugerir que eles se encaminhem tamb?m para o consumo no futuro. ?Os filhos s?o o espelho dos pais. O beber social inicia muitas pessoas ao alcoolismo. Temos que saber que a mesma cerveja n?o ? igual para todos. Para uns ? apenas uma momento de socializa??o, para outros ? o in?cio de uma depend?ncia qu?mica. Enquanto n?o sabemos quem pode e quem n?o pode, o mais vi?vel ? evitar. N?o adianta pedir aos filhos para n?o beberem, dizer que a bebida n?o faz bem, e todos os finais de semana ir beber. Os filhos fazem o que os pais fazem, e n?o o que eles falam?, comenta. Essa identifica??o entre pais e filhos, por?m, pode, em determinada situa??o, variar de indiv?duo para indiv?duo. Alguns filhos podem pender mais ?s atitudes das m?es, assim como as filhas podem seguir como exemplos os comportamentos dos pais. Em outro cen?rio, pode haver uma avers?o quanto a isso, em que os filhos escolhem fazer exatamente o contr?rio do que pais praticavam. O psic?logo da Cl?nica de Cefaleia e Neurologia Dr. Edgard Raffaeli F?bio Roesler ressalta, por?m, que o cuidado deve sempre ser tomado. ?H? casos em que n?o h? essa identifica??o e, a grosso modo, podemos dizer que [os filhos] tentam comportar-se de modo distinto, gostando e fazendo aquilo que o pai ou a m?e n?o fazia. Definitivamente, o pai que bebe na presen?a do filho pode sim lev?-lo a beber posteriormente, mas isso vai relacionar-se muito mais com a quest?o de uma identidade ou n?o identidade com o pai?, explica Roesler. O atual modo em que a sociedade se encontra ainda possui resqu?cios de preconceito e ? habitual a discrimina??o, apesar de ter ocorrido uma evolu??o significativa desde os tempos da Ditadura Militar (1964 ? 1985), quando havia forte repress?o com os artistas e pensadores. Muita gente ? os mais tradicionais e parte dos religiosos ? ainda acredita que pais tatuados, com piercing, brincos, cabelos compridos ou pertencentes a alguma tribo urbana, por exemplo, n?o t?m potencial para exercerem um bom papel ou que servem de mau exemplo para os filhos. Esse ? um cen?rio que vem mudando, mas que ainda est? presente no conv?vio social. Essa ?tica, entretanto, de que pais que fogem aos padr?es esperados pela sociedade, s?o contradit?rios. Para o soci?logo R?cio Barreto, mesmo que as crian?as tenham vontade de fazer tatuagem, brinco, piercing, o que deve ser ressaltado s?o os valores morais. ?Tatuagem, brinco, cabelo comprido podem e v?o despertar um comportamento semelhante nos filhos, mas o que vai prevalecer na vida dessas pessoas ? o car?ter, o respeito, a educa??o de ber?o; o que n?o impede dessas pessoas adotarem um estilo diferente. N?o adianta o sujeito ser bem arrumado, dentro dos padr?es que a sociedade considera normal e ter um p?ssimo car?ter, ser um mau exemplo para os filhos, uma pessoa de m? ?ndole?, diz. Maur?cio Martins, 31, jornalista, assessor de comunica??o, m?sico, escolheu h? tr?s anos fazer uma tatuagem e ? pai da pequena Maria Stella, de dois meses e meio. Para ele, o fato de ser tatuado n?o ? capital no sentido de definir se a Stella far? ou n?o uma arte na pele. Ele sustenta essa opini?o com base em sua pr?pria hist?ria de vida. O pai de Maur?cio sempre trabalhou com mec?nica e ele, por mais que tenha convivido constantemente pr?ximo dessa profiss?o, n?o teve interesse nem por aprender a dirigir. ?O mais importante ? demonstrar que minha filha poder? contar comigo no que ela escolher para a sua vida, mas claro que irei buscar orienta-la da melhor forma poss?vel. Pretendo ensin?-la que as decis?es devem ser baseadas no que ela acreditar ser o melhor pra ela. N?o ? porque eu tenho tatuagem que ela precisar? ter uma tamb?m. E, se quiser fazer, que seja pelos motivos dela, no momento dela e n?o apenas porque o pai dela tem?, comenta o jornalista. Sobre uma poss?vel idade adequada para fazer tatuagem, caso esse seja o intuito de Maria Stella, Maur?cio Martins acredita que n?o exista uma idade certa, que o principal fator impactante ? a mesmo a maturidade com rela??o ao tema, porque muitos ainda, na empolga??o, acabam desenhando no corpo por modismo. Martins, por?m, n?o v? isso como um lado ruim de se fazer tatuagem. ?A ?nica coisa negativa da tatuagem ? que ainda existem pessoas preconceituosas e que acreditam que ter tattoo significa que voc? possui algo errado, o que obviamente est? equivocado. Sem d?vida o preconceito hoje ? menor que h? dez anos, por exemplo, mas ele ainda existe?, diz. Em meio a todas as teorias e princ?pios sobre o que ? ser um bom pai, ? importante destacar que, mesmo que alguns acreditem que a apar?ncia ou o ?mbito material seja muito importante para a forma??o dos filhos, o que mais se deve levar em conta ? o comportamento, a postura, o car?ter, enfim, os valores de fato. Especialistas dizem que, apesar de n?o haver uma receita do bom pai, ? poss?vel aplicar algumas atitudes que contribuem para uma boa forma??o da crian?a, do filho. ? indicado que o pai seja participativo efetivamente. Ou seja, que n?o se interesse pela vida escolar dos filhos somente quando o boletim chega com as notas ou querer saber como anda o desempenho na nata??o apenas na v?spera de um torneio. Outro aspecto que muitos pais confundem ? com rela??o aos campos material e afetivo, e costumam defender que ?n?o falta nada para o filho?. ? primordial que o pai esteja presente, que troque carinho, que converse com os pequenos. Pode ser essa a falta, e n?o um brinquedo, um jogo. Entre muitas outras caracter?sticas que podem ajudar o pai na cria??o e educa??o dos filhos est? o equil?brio entre o autoritarismo e a permissividade. O psic?logo F?bio Roesler enxerga que a figura paterna tem de transparecer aos filhos, sobretudo, prote??o e acolhimento. ?Um bom pai ? aquele que melhor encarna uma posi??o imposs?vel, pois tem que passar uma prote??o ilimitada e um suposto saber total, isto ?, deve passar ao filho que sempre o proteger?, que sempre estar? acima do que o mundo pode causar a ele, e que tem todo o conhecimento da vida necess?rio para se saber viver?, diz. O soci?logo R?cio Barreto compreende e destaca que os ensinamentos do pai devem ter como base o respeito ?s diferen?as, principalmente as que envolvem as minorias da sociedade. ?N?o existe padr?o. Ser um bom pai ? dar uma forma??o inicial de car?ter, formar pessoas com afeto, baseado em lares onde o respeito ao pr?ximo seja efetivo?, comenta Barreto, que finaliza exaltando o valor de se educar os filhos a serem afetuosos. ?? importante participar da vida dos filhos, ensinando e educando a serem pessoas com sentimento e amor ao pr?ximo, o que produz la?os de confian?a em todas as escalas da vida? por Arilton Batista

 

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