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Como torcer com respeito e alegria



O futebol é um esporte democrático, que agrada a nação inteira: homens e mulheres, crianças e idosos, ricos e pobres, sendo o esporte mais popular do mundo.

Cada vez mais, o futebol ganha novos adeptos, tanto como profissionais, como torcedores ou profundo conhecedores de sua história, aumentando a atenção da mídia e o interesse de uma infinidade de pessoas.

No início do século passado, as partidas eram eventos da alta sociedade, a mulher e a família cumpriam papeis importantes nestes episódios, com a idéia de copiar os hábitos ingleses e tornar a prática restrita a uma determinada elite.

O esporte ajudou principalmente a mulher a fazer parte do ambiente público. Estar nos estádios era uma forma de paquerar, namorar e participar de um evento sem ser questionada.

O afastamento da mulher e da família dos estádios deu-se nas décadas seguintes, com a popularização do futebol pelo país, onde a violência selou a distância.

O caráter violento de alguns freqüentadores, associações e torcidas organizadas vem sendo largamente enfatizado na mídia escrita e televisiva, desde meados da década de 90, contribuindo para que se arme uma grande polêmica acerca do propósito verdadeiro do esporte que se caracterizaria num certo sentido, por uma espécie de “ideologia da harmonia” que prezaria a não violência, o acatamento das decisões dos juízes, dirigentes, técnicos, o bom relacionamento entre os atletas e principalmente entre torcidas.

Entendidas como espaço de transgressão, elas foram denunciadas “antro de vandalismo”, local privilegiado de desmedida violência principalmente a juvenil, encaradas como algo fora da ordem, do qual se perdeu o controle.

Algumas organizações freqüentadoras são temidas, pela crença que se tem no seu poder de contaminação, ou seja, elas seriam ameaçadoras por sua capacidade de inspirar e influenciar atos inconseqüentes.

É neste contexto que as torcidas são percebidas, ora como “um problema social”, ora como “um caso de polícia”, sem que estas duas visões sejam necessariamente excludentes. 

Do ponto de vista do senso comum, eles são perigosos por desempenharem papéis ambíguos, de torcedores e de vândalos, manifestando respectivamente paixão e ódio, sentimentos tidos como opostos, que oscila entre a festa e o conflito, o encontro e a separação, a igualdade e a diferença.

Como algumas organizações freqüentadoras são vistas como influencia negativa, queremos que estas mesmas organizações influenciem e inspirem sim, mas de modo positivo, trazendo a harmonia e o divertimento sadio entre as torcidas, podendo ate eles levarem as próprias famílias para um momento de lazer prazeroso a todos.

Vamos entender como tirar proveito da Copa do Mundo para ensinar nossos filhos e neto e principalmente aos nossos jovens como uma partida de futebol pode ajudar na vida fora do estádio.

Exemplo: Começamos com o comportamento que herdamos dos pais. Como o pai é a principal referência masculina para a criança, se ela vai com ele ao estádio e ele xinga ou agride o adversário, ela pensa que pode fazer o mesmo. À medida que cresce, ela acha que deve ser melhor que ele e isso, nesse caso, significa ser mais agressivo do que o pai, opinião segundo psicólogas estudiosas do assunto.

Por isso a importância de ensinar às crianças os valores que devem ser respeitados dentro e fora do estádio, para fazer do futebol e do esporte em geral, um espaço mais seguro e democrático.

Que os torcedores levem para o estádio as mesmas relações de convivência que desejam para as atividades em família, como respeito ao espaço do outro e às diferenças.

Construindo identidade: Torcer por um time ou uma equipe faz parte da identidade do torcedor. Esse amor pelo clube não pode ser a única referência de vida da criança, mas sim uma entre as outras tantas paixões.

Antes de a criança torcer por um time, ela gosta do pai, da mãe, dos amigos, de super-heróis, importante para que ela busque o próprio caminho e as próprias referências de identidade.

Conviver com as diferenças: É inevitável que se ouça xingamentos durante a torcida, é uma forma de expressar as emoções afloradas que toda partida de futebol ou de qualquer outro esporte desperta no torcedor.

Muitos desses insultos têm uma carga preconceituosa, que depois, voltando para a sociedade, sedimenta essa cultura da intolerância com relação a outras identidades, como a de gênero, a social entre outras.

Torcer em família: Essa prática ensina crianças e adolescentes a valorizar os momentos vividos em família, formar uma torcida própria desperta alegria, amor, bondade e educação.

No restaurante, em casa, na praça ou no estádio, torcer em família cria momentos de afetividade e de cumplicidade partilhada que, futuramente serão boas lembranças desse tempo compartilhado com os pais, tios, avós, primos e grandes amigos, podendo ajudar a superar eventuais divergências, conflitos e momentos de maior tensão que são comuns numa família ou entre amigos.

Aprender ganhar e perder: Como torcedores, vivemos a experiência da glória e do fracasso e como seres humanos, também. Portanto, ficar na expectativa por um final imprevisível ensina todos a perceber a importância de batalhar pelo melhor resultado e faz parte aceitar que nem sempre a vitória é garantida.

Nos jogos pode ser um jeito lúdico de perceber que as derrotas fazem parte da vida e virar o jogo depende de muita disposição.

Ética: Mais do que focar no resultado do jogo, é preciso valorizar os elementos implicados nele: amizade, trabalho em grupo, esforço, busca pela excelência e empatia.

Chamar atenção para esses fatos mostra que o que vale mais não é “cantar vitória”, mas a forma como se ganha e como se perde. É muito melhor perder de cabeça erguida do que ganhar de forma imoral.

A posição assumida frente à boa convivência nos estádios faz parte do que os torcedores denominaram de filosofia da torcida. Esta diz respeito ao conjunto de princípios e objetivos que norteiam sua ação, torcer pelo time de maneira empolgada e muita diversão.

Uma torcida amiga é aquela pela qual se tem respeito, uma relação sem conflitos, em que prevalece o entendimento ou, pelo menos, a disposição para tal.

Algumas torcidas chegam a empregar a denominação de “irmã” ou “co-irmã” para designarem algumas de suas ligações. Isso revela a existência de diferentes níveis ou modalidades de comprometimento e lealdade. Identificar-se com as cores de uma torcida, com as idéias, ter respeito por seus diretores, não entrar em confronto, não significa necessariamente torcer ao seu lado, contra um oponente comum.

Uma torcida com a qual se mantém relações recíprocas de lealdade, solidariedade e retribuição de favores tornam-se um “parente”, deixando de ser um inimigo em potencial.

Sob o padrão do “parentesco por ficção” é esperado que as partes envolvidas ajudem-se mutuamente, cooperando em certas situações, ou seja, é instituído um círculo de solidariedade.

Com a “luta pela paz”, pacto entre clubes por muitas vezes fortalecido em vários momentos, muito dos freqüentadores assíduos, abraçam esta luta e passam a acompanhar e levar crianças, mulheres e suas famílias.

O retorno gradual deste público-alvo às arquibancadas foi ajudado pelas melhorias nas estruturas dos estádios e incumbindo esta constante melhoria cada vez mais significativa. 

A presença feminina espelha uma mudança geral, em que a mulher é mais reconhecida socialmente, podendo expor suas preferências dentro do estádio.

Privar as pessoas de assistir o espetáculo do jogo em virtude da violência e hostilidade é construir uma sociedade segregada. O estádio deve servir como exemplo e reflexão cotidiana de uma cidadania democrática, tolerante, plural e participativa.

Através da Copa do Mundo, temos a oportunidade de demonstrarmos que somos um povo hospitaleiro, simpático e gentil e esta oportunidade não se limita apenas nos estádios. 

Esta demonstração de orgulho em podermos mudar a visão que se tem sobre o Brasil composto apenas de favela, violência e macacos. Agora é a hora e boa torcida!


Cida Lopes • Coach de Eventos Corporativos, Sociais e Gastronômicos • MBA em Hospitalidade • cida.aparecida.lopes@gmail.com

 

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