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Menos religiosas, Festas Juninas têm hoje caráter de entretenimento
por Arilton Batista

Trazida pelos portugueses durante a colonização, a Festa Junina tem origem na França e certamente está entre as comemorações prediletas dos brasileiros, que adotaram a celebração com carinho e a implementou, criando formas e costumes específicos de se festejar em diferentes regiões dentro do país. A origem do nome tem duas linhas. Uma delas é porque a festa acontece originalmente no mês de junho. E a outra é por ser também uma festa para São João. Por isso, o nome inicial era Festa Joanina. Entre uma e outra teoria do porquê do nome, fato é que no Brasil a Festa Junina pode ser dividida em dois tipos: as nordestinas e as caipiras. As festividades que ocorrem no Nordeste são bastantes expressivas, tendo como tradição os grupos festeiros, que andam e cantam pelas ruas das cidades, passando de residência em residência recolhendo comidas e bebidas deixadas pelos moradores para serem degustadas durante a festa.

Como a região do Nordeste sofre muito com a seca e a Festa Junina também é em homenagem a três renomados santos católicos, São João, São Pedro e Santo Antônio, a população aproveita o momento para agradecer pelo período de chuva. Para o nordestino as comemorações juninas representam, além da alegria e o espírito de gratidão, uma alta no setor de turismo, que infla com a chegada de turistas brasileiros e estrangeiros. Dentre as diversas tradições que cercam as Festas Juninas está a grande fogueira, que simbolicamente representa a proteção aos maus espíritos que atrapalhavam o desenvolvimento das plantações e, consecutivamente, o sustento das famílias. Além disso, há uma questão prática para a fogueira. Como no mês de junho faz frio, as labaredas aquecem os participantes do evento, que se unem em torno do fogo.

Rodeada de contos, as Festa Juninas trazem consigo algumas simpatias características. Acredita-se, por exemplo, que a soltura dos balões nesse período leve os pedidos dos devotos até São João. Outra mania é a realização de pedidos de casamento feitos para Santo Antônio, que é conhecimento como o Santo Casamenteiro. De algum tempo para cá as comemorações juninas não têm mais como principal foco o apelo religioso-católico. Por ter se tornado uma atração popular e sobretudo divertida, até mesmo os menos crédulos e adeptos de outras religiões participam das festas. Nestes casos, com o puro intuito de se entreterem, evidentemente. “Vejo apenas como um evento de recreação mesmo. Gosto da Festa Junina por conta das comidas típicas, danças, brincadeiras, quadrilha, fogueira e todas as tradições”, comenta o assistente administrativo Raphael Terriaga, 22, que se diz nostálgico com esse tipo de evento. “Me remete ao passado.Lembro quando colocava aquele chapéu de palha e pintava o bigodinho com lápis de olho da minha mãe para poder dançar quadrilha na escola”, recorda.

As comidas típicas das Festas Juninas têm como base graus e raízes brasileiras, como batata-doce, mandioca, e amendoim. Como junho é a época do milho, muitos pratos são à base do grau. Milho cozido, curau, cuscuz, pipoca, bolo de milho e canjica são alguns exemplos do que geralmente é produzido com o milho para os festejos de junho. Outros pratos são tradicionalmente servidos nas festas de junho, como o pinhão, a paçoquinha, o arroz-doce, pé-de-moleque, broa de fubá, etc. Quanto às bebidas, pode-se dizer que atualmente vale tudo. Mas há dois aperitivos com a cara da Festa Junina. Como o evento recebe um grandioso número de mulheres e faz-se bastante frio, são servidos o vinho quente e o quentão, que são vinho e cachaça, respectivamente, aquecidos no fogo com pedaços de frutas, açúcar e gengibre.

As demais atrações das Festas Juninas se resumem às tradicionais brincadeiras de Corrida de Saco, Derrubando Latas, Correio Elegante, Corrida do Ovo na Colher, Corrida do saci-Pererê, Pescaria, Cadeia, Bingo, Jogo das Argolas, Boca do Palhaço e, as duas mais tradicionais e empolgantes da festa, que são a Quadrilha e o Casamento Caipira. A Quadrilha nada mais é que uma dança entre casais vestidos de caipiras que são comandados por uma espécie de locutor da festa. Antes da dança vem o Casamento, em que um casamento fictício é simulado por um casal. O cronograma pode ser alterado de acordo com as tradições locais e criatividade de cada um, mas a base é sempre a mesma. A noiva engravida antes do casamento e o noivo, bêbado, tenta fugir no altar e é pressionado pelo sogro durante toda a cerimônia. A brincadeira do Casamento foi criado porque, noutros tempos, as pessoas aproveitavam a reunião de um grande número de pessoas em prol religioso para se casarem e, com isso, não gastarem tanto com a festa.

Em São Paulo há muitos locais para quem busca se divertir com a Festa Junina. No bairro da Penha, o Clube Esportivo da Penha promoverá os eventos juninos, com shows musicais e tudo que envolve a festa caipira, de 30 de maio até 29 de junho, todos os fins de semana. Outros clubes que promovem renomadas Festas Juninas, com artistas e convidados especiais todo ano, são o Corinthians, o Juventus e a Portuguesa. A Lusa, por exemplo, dá início às comemorações no dia 31 de maio e encerra em 6 de julho. “Acho a Portuguesa bem espaçosa e também de fácil acesso para eu ir com minhas amigas. Tem shows por um preço baratinho, 20, 40 reais. Tem comidas boas e o pessoal é bacana”, comenta a jornalista Fernanda Barbosa, 24.

Para saber mais sobre os eventos nos principais clubes da região, entre em contato com a sede social – Clube Esportivo da Penha:
www.cepenha.com.br (2296-7244), Corinthians: www.corinthians.com.br (2095-3000), Portuguesa: www.portuguesa.com.br (2125-9400) e Juventus: www.juventus.com.br (2271-2000).


 

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