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Com atenção especial, mulheres podem receber atendimento odontológico durante a gravidez
por Arilton Batista


(Dra. Patrícia Mazzarioli e Dra. Taciana Mazzarioli, profissionais da Odontontomazza)

Ouviu-se muito um provérbio dizendo que “cada filho custa à mãe um dente”. A expressão, entretanto, não passa de uma fábula que ilustra o fato de muitas mulheres terem complicações com a saúde bucal durante o período de gravidez, com o surgimento ou agravamento de canais, cáries e principalmente inflamações nas gengivas. Isso porque não havia uma abordagem maior sobre a odontologia gestacional, sustentando certo receio por parte das mulheres, que temiam prejudicar a saúde do bebê caso fossem ao dentista e passassem por exames radiológicos ou anestesias. Especialistas do setor, porém, indicam que um profissional deve sempre ser consultado, independente se a mulher está ou não grávida, uma vez que saúde dos dentes é também muito importante para o bom funcionamento de outros órgãos do corpo e até mesmo para o bebê.

As complicações gengivais e nos dentes associadas com a gravidez são, na verdade, um adensamento de problemas pré-existentes nas gestantes. Por isso, se a gravidez for planejada, é importante que a mulher faça uma consulta prévia ao dentista, a fim de tratar possíveis problemas ainda em fase inicial, já que no período de gestação o organismo passa por uma série de mudanças que podem tornar a questão um pouco mais delicada. Nesse período acontece, por exemplo, um maior bombeamento de sangue pelo corpo da mulher e gera a produção de hormônios específicos, que podem antecipar o sangramento de uma gengiva já inflamada (gengivite). “É de extrema importância para qualquer indivíduo ter consultas de rotina com seu dentista. Para a mulher que planeja engravidar esta é a fase ideal, pois evita complicações durante a gravidez”, explica a Dra. Patrícia Mazzarioli, presidente da rede de clínicas Odontontomazza, pós-graduada em ortodontia pelo Instituto Velline e em ortodontia autoligada pela Universidade de Nova York, Estados Unidos.

Quando a mulher não programa a gravidez ou, por algum outro motivo, não consegue fazer uma consulta preventiva, o dentista pode e deve ser procurado da mesma forma. Ao contrário do que diz o senso comum, todos os procedimentos odontológicos úteis para o tratamento podem ser realizados em gestantes, desde que sob orientação do dentista e, se possível e necessário, também com o aval do obstetra responsável pelo pré-natal da paciente. Aconselha-se que alguns procedimentos, porém, como anestesias e raios-x, sejam realizados após o terceiro mês de gestação e antes do sexto – ou seja, no segundo trimestre da gravidez –, pois o feto já está formado e a mulher ainda não está tão ansiosa para o parto. “É mais adequado o uso de algumas medicações entre o 4º e o 6º mês de gestação. Nesta fase, mamãe e bebê se encontram em um período estável. Nós sempre tomamos o cuidado de entrar em contato com o médico ginecologista obstetra, para juntos assegurarmos o bem estar da futura mãe”, diz a Dra. Patrícia, que é também pós-graduada em ortopedia funcional dos maxilares pela SBOOM – Sociedade Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Maxilar.

No caso das pacientes que necessitam do procedimento radiológico para a realização do diagnóstico, mesmo ainda estando nos primeiros meses de gravidez, o método é realizado após uma ponderada análise do caso. Mesmo o raio-x sendo direcionado exclusivamente ao local do tratamento e tendo um tempo de exposição relativamente pequeno, quando comparado com outras regiões do corpo, sempre são utilizados aventais de chumbo para proteger e diminuir os efeitos da radiação. ''Nestes casos há uma avaliação bastante criteriosa, para que se tenha certeza da necessidade do uso do raio-x”, explica a Dra. Patrícia, enfatizando que o mesmo cuidado é aplicado para a utilização dos anestésicos. “A escolha do anestésico é baseada no estado de saúde geral da paciente e na fase gestacional em que ela se encontra. Hoje em dia existe uma ampla gama de anestésicos locais para se trabalhar sem dor e em segurança”, diz.

Além da atenção especial das gestantes com relação à visita ao dentista, é preciso bastante atenção com a administração da higiene bucal. Como as mulheres grávidas naturalmente direcionam a atenção quase que total para a gestação e para a saúde do bebê, acabam descuidando de si próprias; neste caso, da limpeza dos dentes. Como a gravidez exige que a mulher consuma uma quantidade maior de alimentos e em intervalos menores, seria adequado que ela também se atentasse em escovar os dentes mais vezes no dia – sempre após toda refeição – e jamais deixasse de utilizar o fio dental. O acúmulo de resíduos nos dentes acarreta em uma fermentação, o que pode diminuir o pH bucal, tornar a saliva mais ácida e contribuir para o surgimento de cáries. “As bactérias existentes em nossa saliva fermentam os carboidratos dos alimentos, produzindo ácido lático. Essa reação leva a uma diminuição do pH, que fica abaixo de 4,5. Não somente em gestantes, mas a saliva mais ácida leva a uma desmineralização do dente”, explica a Dra. Taciana Mazzarioli, diretora da parte clínica da Odontomazza e pós-graduada em cirurgia oral menor e implantodontia pela Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (EAP-APCD).

A ansiedade é tanta quando se está esperando um filho, seja ele o primeiro ou não, que muitas mães não se dão conta que, durante a gestação, elas já têm o poder de contribuir para uma boa dentição do bebê. Dentre as recomendações mais importantes estão uma alimentação adequada, evitar medicamentos em exagero e desnecessários, uma boa administração da saúde bucal e, após o nascimento do bebê, adotar hábitos higiênicos com a boquinha da criança, alimentação adequada, evitar a utilização prolongada de mamadeiras e chupetas, além de levá-lo à primeira consulta com o dentista após o 12º mês de vida. “De fato tudo muda quando uma criança vem ao mundo. As coisas que julgávamos ser importantes passam a ficar sempre em segundo plano. É uma fase em que a saúde e o bem-estar dos bebês ficam acima de qualquer outra prioridade. Passamos a ter menos tempo e mais preocupações. Mas temos de ter em mente que a saúde bucal é também muito importante”, finaliza a Dra. Taciana Mazzarioli.


 

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