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Moda Plus Size segue em ascensão no Brasil
por Arilton Batista


A sociedade tem enxergado, dia a dia, cada vez mais, que o estereótipo do corpo supermagro está bem distante da realidade, principalmente no Brasil, onde há uma grande miscigenação cultural e estilos de vida bem distintos de acordo com cada localidade. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 48% da população total do Brasil está acima do peso e 15% são obesos. Na moda, entretanto, esse público – que usa manequim acima do 44 – sempre teve dificuldades em encontrar opções adequadas. A maioria das lojas e grandes magazines sempre ofereceram o tamanho G e GG. Mas esse formato é genérico e não preenche o desejo das pessoas com sobrepeso, que buscam por modernidade e também querem seguir as diretrizes da moda. Esse cenário, porém, tem sofrido mudanças significativas.

O jornalista do site Moda Digital Rafael Pinheiro, 25, explica que não há nenhuma advertência com relação às roupas plus size e que o único e mais importantes ponto a ser destacado é sobre os ajustes específicos. “É importante destacar que o estilo da mulher que usa um manequim acima do 44, por exemplo, não sofre nenhuma restrição ou aquele temido ‘certo’ ou ‘errado’. Mas existem certos ajustes e adaptações em modelagens e tecidos para garantir o conforto e bem estar da mulher contemporânea”, explica. Como forma de consolidar e disseminar tudo que envolve o mercado de moda plus size, há nove anos acontece no Brasil o evento Fashion Weekend Plus Size. Dirigido pela jornalista, modelo e editora do blog Mulherão, Renata Poskus Vaz, o FWPS promove, além dos desfiles, o Salão de Negócios, que funciona como um ponto de encontro entre lojistas do setor e confeccionistas.

Um evento desse tamanho e com essa relevância tem o poder de promover o setor e também dá a oportunidade para mulheres com sobrepeso de atuarem nas passarelas, como modelos, o que para muita gente pode ser a realização de um sonho até então muito distante, devido à realidade imposta pelo cenário fashionista. “E com a aparição de mulheres com essa estrutura, ávidas por moda, desfilando em um evento que fomenta essa cultura fashion democrática, consegue estimular outras mulheres a participarem de seleções para desfiles, mostrando que existe espaço para todas as mulheres na passarela. Trazendo beleza, autoestima, talento e mulheres reais nas apresentações”, comenta o jornalista Rafael Pinheiro, ressaltando que o papel da moda é gerir tendências, e não impor condições ou estabelecer padrões. “A moda hoje não é ditada por ninguém, sendo extremamente democrática, já que temos diversos estilos, formas, valores, comprimentos e até tamanhos para todos os gostos”, diz.

As pessoas que usam o tamanho grande – ou plus size, traduzido – sempre se depararam com condições pré-estabelecidas e limitadas de consumo de moda, como, por exemplo, as golas V e calças de cintura alta para as mulheres. Mas, com a ascensão dessa fatia do mercado, houve uma grande expansão de ideias, projetos e, com isso, novas tendências e estilos foram inseridos no universo de quem consome roupas maiores. Cristina Soares, diretora da loja especializada Bela Moda Plus Size, localizada no bairro da Penha, conta que o comercio segmentado está muito confiante com o crescimento que vem acontecendo nessa esfera. “As gordinhas não usam apenas decote V, alças largas e calças de cintura alta. Elas querem jaquetas curtinhas, estampas modernas, letras, saias, cintos, etc. É um mercado carente e estamos apostando nessa linha, porque o retorno está sendo positivo”, conta a comerciante, que inaugurou a loja há um ano no formato de vendas online e, agora, vem apostando também na forma física.

Para Cris Soares, que já participou como modelo de alguns desfiles do segmento, o tema plus size tem galgado degraus altos e conquistado bastante espaço junto à mídia, quando comparado com outros períodos, mas que ainda há questões a serem melhoradas e que o cenário atual ainda não o esperado. “O mercado cresceu. Temos novas lojas e outras ganharam visibilidade, porque agora a mídia permite. A variedade de peças é maior e o alcance a essas novidades foi facilitado com lojas virtuais. Portanto, estamos ganhando respeito e conquistando nosso espaço no mercado da moda, mas ainda não chegamos ao considerado ideal”, defende a diretora da loja Bela Plus Size.

A moda tem se tornado, com o passar do tempo e com a quebra de alguns estigmas, cada vez mais democrática e acessível. Tem se dado mais atenção para cada tipo de corpo, abrindo espaço para as chamadas mulheres reais, que possuem curvas maiores, sobrepeso e que antes tinham de consumir “roupas especiais”. Hoje esse público tem um maior direito de escolha e opções criadas por profissionais especializados do mercado de moda. “É difícil você entrar num shopping e achar um tamanho exato para gordinha. Eles fazem o tamanho GG, que não supri o que a gordinha procura. O mercado plus size vem com um corte diferente e preenche essa necessidade. Identificamos uma oportunidade de melhor atender este segmento e buscamos democratizar o acesso ao melhor das tendências mundiais para o nosso público”, diz Cris Soares.

Segundo Rafael Pinheiro, graduado em Jornalismo pela Universidade Paulista e especializado em Jornalismo de Moda pela Escola de Arte & Design Panamericana, este é o momento em que a moda em está em foco, e que é uma ocasião muito boa para quem tem interesse pelo tema, além de ser importante para levar a informação ao grande público. “O assunto MODA nunca esteve tão evidente como agora. A moda que muda. A moda que constrói. A moda que veste, esconde e valoriza. A moda democrática. E quando me refiro à moda democrática não digo somente as redes de fast-fashion, mas também a eventos que começam a criar forma a cada edição e o conhecimento do público, da mídia e do consumidor final”, diz.

Dicas do especialista

“Hoje, no mercado, existem diversas marcas especializadas em moda plus size e trazem peças com informação em moda e com um extremo conforto. Nos estilos, que chegam a ser tendência, destaque para os comprimentos médios, longos e mullets (aqueles curtos na frente e longos na parte de trás); vestidos longos, assimétricos e decote V se adéquam bem à silhueta, além de alguns recortes estratégicos que criam a ilusão de linhas ou figuras geométricas; bordados, transparência e brilho para a noite são opções que realçam qualquer look; as estampas aparecem em todas as estações e, dessa vez, a estamparia aparece com florais, estilo étnico, animal print e geométricos. Mas é necessário certo cuidado com a estamparia e dosar em proporções nos looks, unindo estampas com cores neutras; nos materiais, a viscose é uma ótima pedida, por ser confortável e ter um bom caimento no corpo, além do jeans, couro fake, malhas tipo tricô e veludo de malha, preparando a chegada do outono/inverno; nas cores, preto, marrom, vermelho, azul e o duo chique preto e branco tanto em estampas como na combinação dos looks. Para os homens, uma boa opção são as sobreposições de camisetas (estampadas ou lisas) com camisas mais despojadas, deixando a aparência jovial. As calças têm uma modelagem reta e combinam com sapatênis e mocassins para os mais estilosos” – Rafael Pinheiro, especializado em Jornalismo de Moda pela Escola de Arte & Design Panamericana.


 

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