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Excessos alimentares podem ser compensados no pós-Páscoa
Alimentação e exercícios ajudam a contrabalançar possíveis exageros cometidos na Páscoa; controle psicológico é fundamental para não passar do limite
por Arilton Batista

É difícil encontrar quem não goste de chocolate, independente da época do ano. Mas é na Páscoa que surgem as novidades do setor e o consumo do doce proveniente do cacau aumenta de maneira significativa. O arrependimento, porém, é quase certo quando a festa acaba e a rotina é retomada. Sensação de inchaço e aumento de peso são algumas das queixas. É natural que haja certo exagero no consumo nesse período tão sugestivo. Dietas e exercícios físicos, entretanto, ajudam a recompor as condições do corpo e a compensar os excessos cometidos nessa época. Controlar o psicológico é outro artifício a favor da consciência leve e da boa forma.

Como a maioria dos alimentos ricos em açúcares, o chocolate pode se tornar um vilão quando consumido exageradamente e sem critério. As pessoas que mais têm de se atentar para o consumo são os que seguem dietas hipocalóricas – com baixa quantidade de calorias – e, principalmente, os diabéticos. Os excessos relacionados ao consumo de chocolate podem causar, num contexto geral, obesidade e contribuir para doenças cardiovasculares (do coração). Dentre as variações de chocolate, o que merece maior atenção é o branco, pois é produzido com a manteiga de cacau, diferente dos demais – ao leite, meio amargo e amargo –, que são feitos com massa de cacau. A manteiga é rica em gordura saturada e pode elevar os índices de colesterol e glicêmicos.

Apesar de a OMS – Organização Mundial da Saúde não recomendar o consumo de açúcar, especialistas indicam que uma porção diária de 30g de chocolate meio amargo não é prejudicial, desde que não sejam consumidos outros doces durante o dia. O produto considerado meio amargo precisa ter, no mínimo, 70% de cacau na composição. Por isso a importância de se verificar as informações na embalagem. O chocolate diet, apesar de conter menos açúcar e ser mais indicado aos diabéticos, possui maior quantidade de gordura. A atenção tem de ser a mesma. Se consumido adequadamente, porém, o chocolate tem função benéfica ao corpo. Segundo a nutricionista Taís Ferrari, 36, gerente de unidade da Sodexo Brasil, ele é um potente antioxidante, estando à frente do chá verde e dos vinhos. “O chocolate meio amargo é rico em polifenóis. No caso do chocolate, os flavonoides, que protegem o sistema cardiovascular, além de ser um forte antioxidante natural. Combate os radicais livres e protege dos efeitos dos raios UVA e UVB. O flavonoide também é um anti-inflamatório natural. Em algumas pessoas o cacau pode diminuir a produção de ácido nítrico, proporcionando, assim, a diminuição da pressão arterial sanguínea”, explica Ferrari.

Existem algumas formas para compensar o exagero cometido por alguns na Páscoa. A primeira coisa a ser feita, segundo os profissionais de nutrição, é suspender ou diminuir o consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar, além manter ou aumentar a ingestão de água. Praticar atividade física é também uma forma de recuperar a forma e limpar o organismo. Segundo a nutricionista Taís Ferrari, os alimentos mais indicados no período pós-páscoa são os vegetais folhosos e frutas, pois ajudam na digestão e diminuem a sensação de inchaço. “Nos dias subsequentes à Páscoa, principalmente no dia seguinte, a sensação de estufamento pode surgir. E a dieta hipocalórica é indicada. O mamão fresco é uma boa fruta, pois auxilia na digestão, e o chá de hortelã pode auxiliar na diminuição dos gases”, comenta.

Não cair na tentação e manter o controle psicológico durante a Páscoa ainda é o melhor caminho, apesar de não ser uma tarefa tão simples. Muito se ouve sobre a relação do chocolate com controle do estresse e da ansiedade. Mulheres o usam quase como um remédio no período da Tensão Pré-Menstrual justamente com o argumento de se sentirem psicologicamente melhores. Não é diferente com os homens. Há muitos que comem chocolate em momentos de tensão, com o intuito de abrandarem aquela sensação. “Na TPM é o período em que mais como chocolate. Eu me sinto mais leve. É uma sensação que não dá pra explicar direito. Ele diminui a tensão, a ansiedade e principalmente o estresse. Parece que ele age feito um calmante para mim”, conta a auxiliar administrativo Ariane Teixeira, 20. O também auxiliar administrativo Luiz Henrique, 19, conta que o chocolate serve para o acalmar nos momentos de ansiedade, mas que se sente um pouco arrependido quando exagera e, depois, procura compensar o abuso. “Depois a gente faz uma caminhada ou uma corrida para limpar a consciência”, brinca.

A explicação para esse alívio no estresse e na ansiedade proporcionado pelo consumo de chocolate está no fato de ele aumentar a produção de hormônios responsáveis pela sensação de prazer. Segundo a psicóloga Cintia Panes, que atua há mais de 10 anos no atendimento a crianças, adolescentes e adultos, a sensação de prazer causada pelo chocolate é temporária e não se pode acreditar que ele resolverá o quadro de ansiedade e estresse, causados por motivos diversos, entre eles, a TPM. “É importante lembrarmos que não existem soluções milagrosas para ansiedade ou TPM. Precisamos tomar coragem e separarmos um tempinho para cuidarmos da nossa saúde física e emocional”, comenta. A dica para que os momentos de desconforto emocional não interfiram tanto no consumo de chocolates e guloseimas é dificultar o acesso a esses alimentos, tirando-os de vista ou, caso isso não seja possível, estipular um limite, como comer um bombom por dia, por exemplo. “O mais importante é nunca abrir um ovo de Páscoa ou uma caixa de bombom em frente à televisão na hora do seu programa preferido”, finaliza a psicóloga Cintia Panes.


 

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